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Não é Kafka. É a Ryanair

O governo tem de acabar com os serviços mínimos imediatamente. A Ryanair não pode ter um estatuto de impunidade.

Estive agora com os trabalhadores em greve da Ryanair. A lei portuguesa continua a ser ignorada pela empresa. Os trabalhadores continuam sem salário base, sem subsídio de alimentação ou de férias, ou sequer seguro de acidentes de trabalho. Não tendo salário base definido também não recebem horas extras.

Recebem apenas a partir do momento em que o avião descola até ao momento em que aterra. Todo o trabalho anterior ou posterior de preparação e relatório (incluindo esperar pelo INEM para tratar de passageiros que se sentiram mal) não é pago.

O que sabemos agora é que a Ryanair não só ignora o sindicato a definir os serviços mínimos como está a utilizar o nome do Governo para ampliar os serviços mínimos.

Os trabalhadores em greve estão a ser ameaçados pela Ryanair com processos disciplinares, exigindo que se desloquem a Dublin para explicarem porque razão não compareceram no trabalho. Não é Kafka. É Ryanair.

Há um ano, o Bloco de Esquerda apresentou uma resolução aprovada com os votos do PS para obrigar a Ryanair a respeitar a lei portuguesa. Passado um ano, a única coisa que o governo fez foi decretar serviços mínimos para uma empresa que não cumpre serviço público nenhum.

O governo tem de acabar com os serviços mínimos imediatamente. A Ryanair não pode ter um estatuto de impunidade.

Artigo publicado na página de Catarina Martins no facebook

Sobre o/a autor(a)

Coordenadora do Bloco de Esquerda. Deputada. Atriz.
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