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"Fantasia Lusitana" abre Indielisboa

Na abertura do festival internacional de cinema independente, o documentário de João Canijo junta testemunhos de refugiados do nazismo em trânsito por Portugal com imagens de arquivo da propaganda salazarista.

A exibição é esta quinta-feira às 21h45 no cinema São Jorge, na abertura do festival Indielisboa que decorre até 2 de Maio.

"Fantasia Lusitana", de João Canijo, mostra como "Portugal viveu a Segunda Guerra Mundial dentro de um mundo de fantasia".  "A propaganda criou nos portugueses um nível de irrealidade fantasista em que a realidade violenta e terrível da guerra era uma coisa muito longínqua e de outro mundo. Segundo essa propaganda, que proclamava a ausência da guerra no seu seio, mesmo com o fluxo de refugiados que chegava a Lisboa, Portugal era um paraíso de paz e tranquilidade, um “oásis de paz” totalmente alheio a uma guerra que só dizia respeito aos outros", diz a apresentação do filme em estreia na abertura do festival.

Construído exclusivamente a partir de imagens de arquivo, o documentário de João Canijo funda-se no contraste entre as imagens fantasistas da propaganda e os testemunhos escritos de refugiados célebres (Erika Mann, Alfred Döblin e Antoine de Saint-Exupéry, lidos pelos actores Hanna Schygulla, Rudiger Vogler e Christian Patey) de passagem por Lisboa, à espera do barco que os livre do nazismo.

"São textos que reflectem exactamente o pasmo dos autores diante da bizarra noção de realidade dos portugueses", revela a nota de apresentação deste documentário de 65 minutos.

Esta sexta-feira, às 21h30 na Culturgest, estreia o documentário de Diana Andringa "Tarrafal - Memórias do Campo da Morte Lenta", que recolhe  as memórias de Edmundo Pedro, um dos dois únicos sobreviventes do primeiro período do campo, e de angolanos, guineenses e cabo-verdianos que ali foram encarcerados na sequência do desencadear da luta de libertação nas colónias.

"Os relatos, na primeira pessoa, revelam-nos a extrema dureza desse “campo da morte lenta”, criado à imagem dos campos de concentração nazis, mas também o modo como os prisioneiros conseguiram organizar-se para resistir e para, apoiados apenas na força dos seus ideais, ali reinventar a vida, até à Libertação", diz a nota de apresentação. 

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