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Cartazes de ódio

O melhor antídoto contra a extrema-direita sempre foi a perspetiva de progresso, de melhoria social, de criarmos um futuro melhor em conjunto e para todos.

Há uma semana uma organização de extrema-direita colou cartazes em algumas escolas com uma mensagem de ódio contra as pessoas LGBTI.

A ação em si é pouco interessante, não tem nenhuma história, não foi mais do que uma breve notícia em alguns jornais online, porque foi praticada por uma pequeníssima organização de extrema-direita, sem nenhuma expressão na sociedade ou na política em Portugal. Ninguém soube, ninguém viu, de facto, não interessa a ninguém. Mas é um sinal importante que a extrema-direita decida colar cartazes de ódio contra as pessoas LGBTI em escolas.

As vitórias eleitorais de Trump, Salvini ou Bolsonaro e as suas agendas racistas, xenófobas, homofóbicas e misóginas criaram macaquinhos de imitação também em Portugal, que agora decidiram copiar o que acham que são fórmulas de sucesso.

Felizmente, os macaquinhos de imitação da extrema-direita não percebem que para haver ódio não bastava haver chavões. Estes sempre foram importantes para pôr novos contra velhos, altos contra baixos, homens contra mulheres, verdes contra vermelhos, mas os chavões não chegam quando há um caminho de confiança no progresso social.

Aliás, o melhor antídoto contra a extrema-direita sempre foi essa perspetiva de progresso, de melhoria social, de criarmos um futuro melhor em conjunto e para todos e todas. Numa palavra: combate às desigualdades.

Por isso é que o período da troika e do governo PSD/CDS foi tão perigoso para o país. O governo de direita de então usava chavões para pôr jovens precários contra pensionistas, trabalhadores do privado contra os do público, remediados contra pobres.

E, por isso mesmo, é que o acordo entre PS, Bloco de Esquerda e PCP para travar o empobrecimento foi tão importante, porque permitiu parar o agravamento da pobreza e das desigualdades e também o discurso que as legitimava.

Se queremos uma sociedade com coesão social temos de combater as desigualdades sociais e os discursos de ódio que as naturalizam. Assim, as crianças e os jovens têm o direito a estudar em contextos seguros, livres de violência, bullying e de exclusão social.

Isto inclui não tolerarmos mensagens discriminatórias e degradantes sobre os seus corpos, as suas escolhas, a cor da pele, a sua orientação sexual ou identidade de género.

Existirem cartazes de ódio colados em escolas não é um problema, é antes um sintoma de que o discurso do ódio quer ocupar espaço e um aviso para sermos claros na sua condenação.

Artigo publicado no “Jornal Económico” a 19 de novembro de 2018

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro e mestre em políticas públicas. Dirigente do Bloco.
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