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Melhoria do emprego estraga narrativa da direita

O silêncio de Rio e Cristas perante as contas da Segurança Social, com um excedente muito acima do esperado, denuncia a ausência de programa económico.

As boas notícias vieram do insuspeito Conselho de Finanças Públicas. A instituição de Teodora Cardoso, que nos habituou a previsões catastrofistas, a loas à austeridade e a sugestões de novos cortes, analisou as contas da Segurança Social do primeiro semestre de 2018 e concluiu que se registou um excedente muito acima do esperado.

A Segurança Social está a gastar menos e a receber mais do que o que estava orçamentado para 2018, e o excedente atingiu 1,8 mil milhões de euros. Este resultado deve-se a um saldo positivo de 1,3 mil milhões de euros nas pensões e de cerca de 500 milhões no subsídio de desemprego.

Numa palavra: o crescimento do emprego e o ligeiro aumento dos salários veio melhorar as contas da Segurança Social. As contribuições aumentaram e os pagamentos das prestações de desemprego diminuíram.

Não se ouviu um pio do PSD e CDS sobre a matéria. A direita que dizia que era um erro a estratégia de parar o empobrecimento, de devolver os cortes nos salários e de aumentar as pensões ficou calada face a estes dados.

A direita ficou calada porque não tem programa económico. Rui Rio e Assunção Cristas ficaram presos à austeridade de Passos Coelho, Paulo Portas e Comissão Europeia, e hoje o seu silêncio denuncia a falta de alternativa política.

Graças à política económica de recuperação dos rendimentos e pensões, o consumo interno tem suportado, a par do turismo, um crescimento acima da média europeia e tem contribuído para uma descida dramática da taxa de desemprego, que se encontra hoje abaixo da maioria dos países europeus.

Com a direita encostada às cordas e a casos pontuais, resta a esquerda para os debates estratégicos do país. O crescimento da riqueza tem de ser melhor distribuído e isso significa a melhoria dos salários e o combate à precariedade laboral.

Esse é um dos debates mais importantes que veremos nos próximos meses e que mais relevância têm no dia a dia de quem trabalha em Portugal. O recente relatório da Agência Europeia para os Direitos Fundamentais, onde se lê que a exploração laboral é muito alta em Portugal, deve servir de alerta para a urgência deste debate.

Artigo publicado em jornaleconomico.sapo.pt a 10 de setembro de 2018

Sobre o/a autor(a)

Engenheiro e mestre em políticas públicas. Dirigente do Bloco.
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