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Professores em tempo de união e luta

A greve dos professores às reuniões de avaliação não é capricho, nem defesa corporativa por infindáveis privilégios.

Não! Trata-se, acima de tudo, da defesa de um direito que é seu: 9 anos, 4 meses e 2 dias de tempo de serviço, vida trabalhada e que nenhum trabalhador pode ver ignorada.

Parece que o ministro Tiago Brandão Rodrigues não consegue perceber esta ideia e passa a chantagens e ameaças à classe docente. Com aval do primeiro-ministro, rasgou o acordo celebrado com os sindicatos em dezembro de 2017. Comprou uma guerra sem nenhuma razão do seu lado e, ao dia de hoje, em centenas de escolas, as reuniões de avaliação ainda não se realizaram e não se vai ficar por aqui. As greves vão continuar e a luta vai endurecer.

Mais, não é uma mera nota informativa enviada pela Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) às direcções das escolas que vai fazer com que os professores desistam da sua luta. Os professores sabem que essa nota informativa não tem base legal e é apenas o retrato da desorientação e da total falta de respeito pelo momento importantíssimo que é a reunião do Conselho de Turma. É aqui que se decide se o aluno progride ou não. É uma nota informativa ilegal.

Não se esqueça do passado recente, senhor ministro. Os professores sabem organizar-se, sabem lutar pelos seus direitos, pela democracia e não vale a pena fazer braço de ferro.

Existem soluções: uma é a recuperação desse tempo de serviço de forma faseada. Não pode ser em 5 anos, que avance o governo outro prazo ou que se recupere apenas 5 anos e o restante seja reconhecido aos professores em antecipação do acesso à reforma, pois são tantos os professores mais velhos que estão em baixa prolongada e “burnout”.

Finalmente, para aqueles comentadores mais distraídos e repetem ficções sobre a classe docente:

1. Os professores não progridem automaticamente nem apenas com base no tempo de serviço. Existem numerus clausus (na progressão aos 5.º e 7.º escalões) e existe avaliação dos professores para mudar de escalão (mínimo de Bom, com observação de aulas no trânsito para o 3.º e 5.º escalões), além da obrigação de frequentar com aproveitamento ações de formação;

2. Com o que foi dito no ponto anterior, muitos professores nunca chegará a escalões superiores;

3. Grande parte dos professores está há mais de uma década no primeiro escalão da carreira, mesmo tendo sido avaliados com Bom, Muito Bom ou Excelente, frequentado com classificação ações de formação, entre outros;

4. Os professores deste país não ficam de férias assim que as aulas acabam! Se assim fosse quem é que atribuía as notas? Quem é que realizava os Conselhos de Turma? Quem é que fazia os horários? Quem é que fazia as planificações e articulações curriculares? Quem preparava o ano letivo seguinte? Tudo isso é feito durante o mês de julho e em alguns casos em agosto;

5. Os professores só podem ter férias no mês de agosto, o que muitas vezes prejudica a sua vida pessoal, como é fácil compreender;

6. Não posso esquecer - sou uma delas - os professores precários que nunca sabem se vão ter emprego no seguinte mês de setembro, nem onde... Anos e anos a fio, com consequências nefastas na vida e na saúde, para não falar nos custos acrescidos de assim trabalhar.

Por tudo isto, não podemos deixar de lutar pelo que é nosso por direito e pelo que é de todos: a escola público de que depende o nosso futuro coletivo.

A hora é de enfrentar a ignorância e o preconceito com união e luta.

 

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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