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Aleijados ou um deficiente pró-eutanásia

“Não tens medo que te matem por seres “assim”?”, perguntavam-me quando sabiam da minha opinião sobre a eutanásia ou o aborto. O “assim” era deficiente, era aleijado.

De todos os argumentos usados contra a eutanásia o que mais ouvia era do medo que os deficientes e os mais idosos fossem colocados todos numa câmara de gás e mortos em instantes assim que a lei entrasse em vigor. Confesso que, não tendo lido a lei, receei bastante pela minha vida. Era mentira.

O argumento de que com a legalização da eutanásia os mais idosos e os deficientes teriam morte imediata tem dois problemas:

O primeiro é que a eutanásia apenas era acionada a pedido do doente. Embora muitas das pessoas contra a eutanásia ignorem (embora digam o contrário) é que a nossa vida tem mesmo o mesmo valor que as outras e que também conseguimos dizer o que queremos. Quer isto dizer que, para estas almas caridosas, a nossa existência apenas é possível porque há uma lei que vos impede de nos matar. Porque somos inferiores e indefesos ( segundo eles dizem os “velhinhos e os aleijados”) querem, sem pedir autorização , tomar uma decisão por nós como se fossemos pessoas menores.

Pessoas menores : para quem nos usa como pretexto para ilegalizar a eutanásia não passamos disso.

O segundo é que a minha deficiência nunca foi vista, pelos que me acompanham, como um fardo para a sociedade como quem é contra a eutanásia (ao contrário do que diz) o vêm. Porque razão é que alguém nos quereria matar se a eutanásia fosse legal? A não ser que vissem a nossa existência como um fardo para a sociedade esta pergunta jamais seria feita. Porque é que a nossa incapacidade nos torna menos pessoas e mais frágeis senão a necessidade imperiosa duma sociedade capitalista ter lucro e nós não sermos eficientes suficientemente ?

Esta “compaixão cristã” pela nossa existência soa, cheira e grita a uma só coisa: pena. E pena de mim não permito que ninguém tenha.

Em muitas coisas da minha vida fui limitado. Na viagem que é a vida fui quase sempre nos últimos lugares no que a direitos diz respeito . Deixei-me, na hora de cortar a meta, ser eu a cortar a fita de chegada. Porque na morte não há deficiências e na morte quero que todos sejam realmente como eu quero ser: livre de decidir.

Sobre o/a autor(a)

Estudante. Atvista do Bloco de Esquerda
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