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Cerimónia internacional assinalou fim do “último conflito armado da Europa”

Numa localidade do País Basco francês, políticos de todo o mundo assinalaram o fim da ETA e lamentaram a falta de envolvimento do governo espanhol no processo de paz.
Foto da cerimónia na página do Forum Social Permanente: forosoziala.eus

O líder histórico do Sinn Féin Gerry Adams, o ex-primeiro ministro irlandês Bertie Ahern, o ex-governador mexicano Cuauhtémoc Cárdenas e o ex-líder do FMI Michel Camdessus foram algumas das personalidades convidadas pelo Fórum Social Permanente, Bake Bidea (Caminho para a Paz) e os mediadores liderados pelo advogado sul-africano Brian Currin, para um encontro com o objetivo de “avançar na resolução do conflito no País Basco”.

Este encontro teve lugar em Kanbo (Cambo-les-Bains), no País Basco francês, e segue-se ao anúncio definitivo do fim do grupo armado ETA, feito esta quinta-feira pelos líderes da organização agora extinta, Marixol Iparragirre e Josu Urrutikoetxea.

O encontro contou com a presença da maioria das forças sociais e políticas do País Basco, à exceção dos partidos Socialista e Popular e dos governos de Euskadi e Navarra, que farão na sexta à tarde uma declaração própria em conjunto.

Na cerimónia foi lido um manifesto redigido pelos observadores internacionais, que recordaram o caminho feito desde a Conferência Internacional de Aiete, em 2011, nas vésperas do anúncio por parte da ETA do abandono da luta armada.

“Ontem a ETA anunciou a sua decisão de deixar de existir. É um momento histórico para toda a Europa, já que marca o fim do último grupo armado em todo o continente”, diz o manifesto, que também reconhece a falta de “mais esforços para reconhecer as vítimas do conflito”.

Muito aplaudida foi a mensagem enviada pelo ex-secretário-geral da ONU, Koffi Annan, sublinhando “o fim de um capítulo difícil da história de Espanha”, que “devia ser festejado por toda a Europa”.

O dirigente político mexicano assinalou “o fim do ciclo e o início de outro afirmou que os objetivos por quem vem lutando o povo basco continuam vivos”, destacando a luta pela soberania, os direitos e as liberdades.

Outras intervenções acentuaram o tom mais crítico em relação ao governo espanhol, que sempre esteve à margem dos esforços pela paz e reconciliação no País Basco. “A irritação não é uma política e a vingança não é uma solução”, defendeu Gerry Adams, acrescentando que “durante as guerras mata-se o inimigo, mas construir a paz é muito mais difícil”.

Na reação ao anúncio do fim da ETA, Mariano Rajoy afirmou que isso não fará travar os esforços do Estado espanhol para capturar e condenar os membros da organização armada basca.

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