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Filipinas: O voto contra a corrupção

Vitória do democrata Benigno Aquino tem um gosto de volta da revolução democrática, após dez anos de desmandos e corrupção do actual governo. Por Tomi Mori, de Tóquio, para o Esquerda.net.
Benigno Aquino

Os resultados parciais das eleições gerais nas Filipinas, realizadas esta segunda-feira, indicam uma ampla vitória do democrata Noynoy, como é chamado popularmente o futuro presidente Benigno Aquino. No momento, ele já leva mais de 3 milhões de votos diante do popular ex-presidente, Joseph Ejercito Estrada, deposto em seu mandato, em 2001, acusado de corrupção. A deposição de Joseph Estrada levou ao governo Glória Macapagal-Arroyo, actual presidente.

 A vitória de Aquino tem um gosto da volta da revolução democrática, após dez anos de desmandos e corrupção do actual governo de Glória Macapagal Arroyo.

Aquino, que já passou por várias legislaturas, é filho do senador oposicionista Benigno "Ninoy" Aquino e de Corazón Aquino. A sua mãe, Corazón, governou as Filipinas na liderança da revolução democrática que derrubou a ditadura de Ferdinando Marcos e a colocou no poder entre 1986 e 1992. Corazón liderou as massivas jornadas de manifestação politica que a levaram ao poder, a revolução democrática filipina, conhecida como o Poder do Povo.

A corrupção, que foi marca registada da ditadura de Ferdinando Marcos, voltou com toda a força no governo de Glória Macapagal Arroyo e é vista pela população como um dos maiores entraves ao desenvolvimento. As Filipinas, um belo e exuberante arquipélago, composto de 7107 ilhas, também é cenário de uma profunda crise política, enfrentando vários anos de guerra civil, com uma activa guerrilha comunista e também étnica, como a Frente Moro de Libertação Islâmica.

A crise politica e a corrupção desenfreada estão entre os factores que explicam a falta de interesse das empresas estrangeiras em investir nesse país que possui milhões de desempregados. A crise é tão profunda que, para um amplo sector da população, a única maneira de fugir dessa realidade é encontrar uma maneira de viver no exterior. Com uma população de 92 milhões, possui mais 11 milhões que vivem no exterior e são responsáveis por uma poderosa fonte de ingressos. A remessa dos 11 milhões de exilados económicos ultrapassa o investimento estrangeiro directo e é fundamental na economia Filipina.

Violência política

A violência é um traço comum da política filipina, com confrontos constantes entre as milícias comunistas e étnicas, além da orquestrada pelos barões locais da política. Como foi o massacre de Maguindanao durante o processo eleitoral. No dia 23 de Novembro de 2009, pelo menos 34 jornalistas foram assassinados em Maguindanao, quando faziam parte de um comboio que ia registar a candidatura do oposicionista Esmael Mangudadato à câmara municipal. O crime foi creditado à família Ampatuan, que governa a província.

No domingo anterior às eleições, as famílias começaram a fugir de Magastong, um vilarejo de Maguindanao, na ilha de Mindanao, temendo o que estava por vir durante as eleições.

Foi o caso de Baidido Aliman, que teve que fugir com os seus 5 filhos, após a explosão de uma granada próxima à sua casa. A chegada do exército depois da explosão trouxe mais ansiedade à população, que temia um confronto entre o exército e a guerrilha.

Trocas de tiros foram registadas na cidade de Datu Salibo, onde a Frente Moro de Libertação Islâmica disparou morteiros contra a Pagatin (escola), colocando os encarregados eleitorais e os eleitores em verdadeiro pânico.

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