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Quem quer estudar em Lisboa não tem onde viver

Lisboa nunca soube receber quem vem estudar para as suas universidades. É altura da Câmara Municipal de Lisboa atuar na crise de habitação que afeta os jovens estudantes.

Lisboa nunca soube receber quem vem estudar para as suas universidades. Desde sempre que os estudantes universitários de fora da cidade são empurrados para casa de familiares, para quartos onde têm de fazer tudo: dormir, cozinhar, estudar e receber os amigos, ou partilha de casas sem contrato de arrendamento. Ou seja, soluções encontradas na economia informal, a maioria sem condições.

A situação piorou muito nos últimos anos. A OCDE (Education at a Glance, 2016) confirma que entre 2008 e 2013 o investimento do Estado no Ensino Superior caiu 12% para 58% - 20 p.p. menos do que a média dos países analisados - mas as famílias estão a pagar 4% mais.

Na passada semana um estudo do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa confirmou o que todos temos sentido: alguns dos custos da educação superior (propinas, taxas, livros) diminuíram, mas o custo de vida de um estudante subiu. A habitação, a alimentação e os transportes estão mais caros agora do que em 2011. De acordo com o mesmo estudo, as residências universitárias só chegam a um em cada três estudantes e apenas 8,6% tem casa própria.

A oferta das residências públicas para estudantes é muito limitada, deixando os estudantes reféns do mercado de arrendamento e a preços inacessíveis.

A título de exemplo, a Universidade de Lisboa tem 48 mil alunos, mas as residências universitárias para os alunos da instituição só têm 869 camas, cobrindo menos de 0,2% dos estudantes.

O alojamento para estudantes passou a ser dominado pela plataforma Uniplaces. De acordo com dados da própria empresa, nas residências privadas, como a Uniplaces, a procura cresceu 70% e a oferta apenas 30%, fazendo disparar os preços mais de 10%. Há outros locais onde os quartos chegam aos €625.

É altura da Câmara Municipal de Lisboa atuar na crise de habitação que afeta os jovens estudantes. A criação de 1500 camas até 2021 permitiria duplicar a oferta e fixar estes jovens na cidade de Lisboa dando-lhes condições para estudarem, beneficiando a cidade. O custo da habitação não pode ser um entrave ao direito a estudar.

A cidade onde os estudantes podem viver é a cidade partilhada.

Sobre o/a autor(a)

Vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa, eleito em 2017. Engenheiro civil.
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