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Na guerra entre PS e Rui Moreira, quem perde é a Escola Alexandre Herculano

Em 2017, novecentos alunos perdem três dias de aulas na escola mais emblemática do Porto: o Alexandre.

O Motivo? A degradação generalizada que faz os estudantes irem de guarda-chuva para a sala de aula. A causa? O braço de ferro irresponsável que se instalou entre o Partido Socialista e Rui Moreira.

Conhecemos a história. Passos Coelho bem pode carpir as dores parlamentares pelo Alexandre, mas foi pela sua mão que as obras previstas desde 2009 foram suspensas em 2011. PSD e CDS são parte deste problema e não contam para a sua solução. Quanto muito, podemos dizer que a ação da direita apenas consolidou um consenso no Porto: o Alexandre é uma escola centenária, cujo edifício faz parte da história do Porto; na condição de sede do agrupamento, garante o ensino noturno, a educação bilingue de alunos surdos e com multideficiência, aulas de natação, entre outras valências a centenas de estudantes. O problema do Alexandre revolve-se com a sua recuperação, não com a transferência faseada de alunos para as outras escolas até o fecho final e a apetecível comercialização do espaço.

Foi isto o que defenderam os deputados e vereadores do Partido Socialista que estão no executivo do Porto, na ação e petição públicas "Não deixámos cair o Alexandre". Entretanto, passaram-se oito meses, e a obra, tão necessária e urgente, não foi incluída no Orçamento de Estado, preferindo o Ministério da Educação empurrar a responsabilidade pela cativação de fundos europeus para a Câmara Municipal do Porto que, por sua vez, recusa quaisquer responsabilidades.

Por que não avança a Câmara Municipal do Porto com a candidatura aos fundos europeus? Ou, nessa impossibilidade, por que o governo não assume o erro?

Os alunos, professores, funcionário e famílias do Herculano vão ter sofrer com mais oito meses de comunicados e desmentidos entre o governo do Partido Socialista e Rui Moreira?

Estas são as respostas urgentes que o Porto merece ouvir.

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, dirigente do Bloco de Esquerda e ativista contra a precariedade.
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