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Zapatistas temem nova ofensiva do Exército

Exército Zapatista de Libertação NacionalIntelectuais fazem manifesto de apoio aos povos zapatistas e condenam postura repressora dos governos; entre os signatários estão os escritores John Berger, Naomi Klein, o sacerdote belga François Houtart.

Agência Brasil de Fato

 

Os participantes do Colóquio Internacional em memória de Andrés Aubry, que ocorreu entre os dias 13 e 17 de Dezembro em San Cristóbal de las Casas (Chiapas, México), denunciaram e condenaram uma nova onda de repressão ao movimento zapatista.

Entre os signatários do manifesto aprovado, estão os escritores John Berger, Naomi Klein, o sacerdote belga François Houtart, dezenas de activistas e académicos. No documento, afirmam que 56 acampamentos militares, unidades de forças especiais e grupos paramilitares, como o da Organização Para a Defesa dos Direitos Indígenas e Camponeses (Opddic), agridem e ameaçam há meses os povos zapatistas. "Não se pode permitir um novo Acteal em terras mexicanas. Não se pode impedir os povos de se defenderem da violência com a violência", adverte o documento.

O comunicado faz referência ao massacre de Acteal onde, no dia 22 de Dezembro de 1997, 45 indígenas tzotziles foram assassinados quando rezavam dentro de uma capela. A autoria foi atribuída ao grupo paramilitar Máscara Vermelha. As vítimas eram do grupo comunitário "As Abelhas", simpatizantes do EZLN. Morreram 16 crianças e adolescentes; 20 mulheres e nove homens adultos. Sete das mulheres estavam grávidas.

O comunicado dos participantes do Colóquio dirige-se ao povo do México e aos povos do mundo, e relembra: "Desde 10 de Janeiro de 1994, o EZLN comprometeu-se com a sociedade civil mexicana a que, de maneira unilateral, travaria qualquer actividade bélica. Quatorze anos após essa decisão, o EZLN, apesar da presença hostil do exército federal mexicano, que tanto dano tem feito à vida das comunidades indígenas chiapanecas; apesar da formação de grupos paramilitares; apesar do massacre de Acteal; apesar de tudo, tem honrado a sua palavra. Neste tempo, colocando em prática o mandar obedecendo, construiu uma das experiências mais esperançosas do mundo: as juntas de bom governo, as quais conseguiram melhorar o nível de vida das bases de apoio zapatistas e realizar o exercício de governo que já é um fardo na luta pela emancipação humana, o seu exemplo de luta pacífica é universal".

Na segunda-feira 17 de Dezembro, o subcomandante Marcos fez um alerta sobre as agressões que estão a sofrer as comunidades zapatistas, na sua última intervenção no Colóquio. No discurso, intitulado "Sentir o vermelho; o calendário e a geografia da guerra", salientou o seu carácter de chefe militar do EZLN, "que é um exército, um outro, mas um exército". Explicou que "como há muito não ocorria, as nossas comunidades, companheiros e companheiras estão a ser agredidos. Já aconteceu antes, é certo. Mas é a primeira vez desde aquela madrugada de Janeiro de 1994 que a resposta social, nacional e internacional foi insignificante ou nula. É a primeira vez que estas agressões provêm descaradamente de governos supostamente de esquerda, ou que se apoiam na esquerda institucional."

O subcomandante também afirmou que "nós, que temos feito a guerra, sabemos reconhecer os caminhos que se preparam e se aproximam. Os sinais de guerra no horizonte são claros. A guerra, como o medo, também tem cheiro. E agora já começamos a sentir o seu cheiro fétido em nossas terras".

No abaixo-assinado de apoio, os intelectuais e participantes do Colóquio comprometeram-se a vigiar de perto as acções repressivas contra os zapatistas. "Comprometemo-nos a permanecer vigilantes, com as comunidades zapatistas, sobre o desenvolvimento dos acontecimentos e chamamos a todos os homens e mulheres de bom coração, do México e do mundo, a ficarem atentos ao que aqui ocorra e a manifestar abertamente a sua solidariedade com os/as indígenas que têm renovada a esperança de que um outro mundo é possível". Assinam também: Pablo González Casanova, Sylvia Marcos, Enrique Dussel, Jorge Alonso, Carlos Rojas Aguirre y Jean Robert. (Com informações do La Jornada - www.jornada.unam.mx)

Página oficial do Colóquio Internacional

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