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2016 deixa muita coisa para continuarmos a refletir se não é possível fazer melhor

2016 será sempre lembrado pelos incêndios que assolaram o Funchal e por, pela primeira vez na sua história, Portugal ter um governo apoiado por uma maioria parlamentar à sua esquerda.

2016 será sempre lembrado pelos incêndios que assolaram o Funchal e que deixaram um rasto de destruição e 4 mortes. Também será lembrado por, pela primeira vez na sua história, Portugal ter um governo apoiado por uma maioria parlamentar à sua esquerda que, contraventos e marés, está a levar os portugueses para uma recuperação dos rendimentos que lhe tinham sido roubados pela direita quando esteve no poder.

Em 2016 tivemos um governo Regional que, não só continuou a fazer a mesma política que o PSD no poder faz desde sempre, como foi o ano das promessas falhadas, do avião cargueiro que não voltou, do ferry que continua no estrangeiro, da continuação da retirada de rendimentos que tínhamos antes da implantação do famigerado PAEF, etc...

Este ano partiram figuras importantes da nossa vida coletiva, pessoas que de alguma forma marcaram as nossas vidas com os seus trabalhos. A minha homenagem à Lília Bernardes. É a vida no seu curso normal de seleção e de renovação, dizem-nos. Mesmo assim, há partidas que nos deixam muita saudade.

Tivemos muitas festas, muita animação. A Região esteve sempre em festa, diversificada e para todos os gostos, o que é bom e salutar. Diversão não faltou para quem a quis. Todos os intervenientes disseram ter casa cheia, o que é muito bom. Será que isto representa uma cultura geral mais elevada por parte da população?

O jornalismo continuou a tentar ultrapassar as barreiras e inovar para atrair mais pessoas, mas alguns profissionais continuam a ter uma tendência de, nos seus trabalhos, puxarem mais por uns do que por outros. Quando se faz a cobertura de um debate parlamentar e, na maioria das vezes, nem se fala de alguns intervenientes no mesmo, e isto numa semana de seguida, é o quê? Omissão? Lamento bastante, porque informar com isenção é fundamental quando se vive num regime democrático.

Continuamos a ter problemas sociais muito graves, como o desemprego, que na Região é dos mais altos do País. Continuamos a ter muita gente a necessitar de quase tudo, desde casa, roupa, comida e outros bens essenciais. Os cabazes distribuídos são muitos, mas a situação da pobreza não se resolve apenas com esse tipo de apoio.

Infelizmente, somos a Região onde a violência doméstica é das mais elevadas do País. Este ano tivemos duas mulheres assassinadas por familiares próximos. Alguma coisa continua a falhar quando passados tantos anos de democracia as mentalidades continuam tão atrasadas como há cem anos atrás. 2016 deixa muita coisa, para continuarmos a refletir se não é possível fazer melhor. Eu acredito que sim!

Artigo publicado em Diário de Notícias da Madeira a 5 de dezembro de 2016.

Sobre o/a autor(a)

Deputada na Assembleia Municipal do Funchal. Antiga dirigente sindical e deputada regional
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