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As novidades do PSD/Açores para o Orçamento de Estado

A ausência de qualquer sensibilidade social-democrata não é defeito deste PSD, mas sim feitio, e um feitio austeritário.

António Ventura vem, mais uma vez, criticar o próximo Orçamento de Estado (OE). Além de ter toda a legitimidade para o fazer, tem toda a razão ao fazê-lo, porque não é por este OE ser mais justo comparativamente aos anteriores da responsabilidade do PSD/CDS que é o melhor dos orçamentos.

Não é um OE que quebra definitivamente com a austeridade, e nunca o será enquanto estiver subjugado aos princípios asfixiantes do Tratado Orçamental, e por isso mesmo, verifica-se um desinvestimento em alguns setores deveras fundamentais. Mas não compreendo onde quer chegar quem acusa este OE de prosseguir, ou inclusive reforçar, o caminho da austeridade, e simultaneamente critica o despesismo das opções políticas plasmadas nesse mesmo orçamento, um despesismo que, pretensamente, nos levará a um novo resgate.

O PSD não se consegue reencontrar como uma oposição com um projeto político verdadeiramente alternativo. Poderia ser mais contundente na defesa, por exemplo, dos serviços públicos, mas prefere fazer um combate político baseado na contestação face ao agravamento de impostos sobre os refrigerantes e as balas, como se fossem as principais medidas de austeridade tributária que penalizam os portugueses.

É este mesmo PSD que, aqui nos Açores, não consegue, de forma alguma, se distinguir do projeto político do PS/Açores. Ninguém acredita no comprometimento do PSD/Açores contra o recurso abusivo aos jovens (e menos jovens) desempregados, e que ao abrigo dos programas ocupacionais, trabalham, lado a lado com outros trabalhadores, mas sem os mesmos direitos: salário, contrato de trabalho e uma carreira. Ninguém acredita, porque foi o PSD com o CDS que, na República, criaram as versões originais destes autênticos instrumentos de precarização que começam a destronar os 'falsos recibos verdes'.

Nunca é demais lembrar que este é o PSD que enquanto esteve no Governo aconselhou que os jovens desempregados emigrassem, ou que se deixassem explorar, com a desculpa de que não haveriam alternativas, e que apelidou os pensionistas de «peste grisalha». Agora, a colega de bancada de António Ventura, Berta Cabral, perante este OE – o tal que é austeritário, mas que nos levará à bancarrota porque é despesista – acusa as gerações mais novas de estarem de 'cabeça perdida'. Logo, a partir de tal acusação se vê que a ausência de qualquer sensibilidade social-democrata não é defeito deste PSD, mas sim feitio, e um feitio austeritário, dogmático e castrador de qualquer esperança que os mais (e menos) jovens possam ter quanto à sua vida presente e futura.

Sobre o/a autor(a)

Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Membro do Bloco de Esquerda Açores. Licenciado em Psicologia Social e das Organizações
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