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Menos arrogância e muito mais decência!

Foi o primeiro-ministro que propôs os ordenados dos elementos da nova Administração da Caixa Geral de Depósitos?

A minha curiosidade e exigência como cidadã portuguesa e reformada, impõe-me a necessidade de ser esclarecida sobre os termos, mesmo que não exaustivamente detalhados, em que foi feito o acordo dos ordenados dos elementos da nova Administração da CGD. Ou seja, do Presidente António Domingues e restantes 6 (seis) executivos.

Foi o primeiro-ministro que propôs os valores? Foi proposta por parte da Administração escolhida e convidada por aquele, que assim o exigiu, tão simplesmente? Como se os portugueses estivessem a navegar numa plataforma de euros de onde jorram e enchem milhares de barris por dia, como se de petróleo se tratasse.

Já as propostas e negociações para as reformas, pensões e outros complementos sociais, não seguiram a mesma bitola. Não menosprezando as condições de reposições e aumentos obtidos em negociações difíceis.

Defende o primeiro-ministro, ou melhor, tem vindo a defender, que se impõem estes valores, porque sustentam a garantia de que a CGD vai, com esta Administração de excelência, ser bem administrada (só se for agora!)…

Impõem-se-me as profundas dúvidas, pelo conhecimento que tenho sobre o trabalho das administrações anteriores. Todas elas de “excelência” e de excelentes administradores mas, chegando até nós, e aos nossos bolsos, deficiências, atropelos e, porventura buracos económicos, na administração de um Banco do Estado do qual eu, e mais cerca de 10 milhões de portugueses somos os acionistas. Assim sendo, estamos conversados!

É que, para serem pagos 30.000 €/mês a este senhor mais os ordenados dos 6 restantes do grupo, que andarão muito próximos daquele valor, difícil é e foi, negociar mais uns sintéticos 10€ para as reformas e pensões que, ainda por cima, só começarão a ser pagos a partir de agosto! Já não entrando assim, no subsídio de férias!

E o que acontecerá se o primeiro-ministro, o governo e, já agora, todos nós, chegarmos à conclusão, ao fim de um ano que a CGD, com tão excelentes administradores e pagos a valores médios só comparáveis à banca privada está, afinal, a ser mal administrada e a causar problemas económicos para o País, para todos nós? Verificar que, afinal, está tudo a descambar? Põe o Administrador e seus pares na rua? Como assim? Está escrito no contrato com o António Domingues que não serve, “vai a andar” e que não há direito a indemnizações, bem como todas as outras extensas e gordas regalias, tais como Carros, Seguros, Prémios, Cartões de crédito e todas e muitas mais que, eu e todos os outros acionistas da CGD desconhecemos?

Estarão inscritas todas estas prerrogativas, todas muito bem escritinhas no Acordo firmado entre as partes, para poder ser dito: - Ok, obrigadinha, mas não servem porque, para pior, já chega!? Ilusão minha, claro!

Valores equiparados às médias pagas a Administradores da banca privada… mas, a CGD é do Estado. E quanto às diversas Administrações dos privados são os seus acionistas que lhes pagam. Mas, sabendo nós, assistindo e sofrido nos nossos bolsos como as coisas têm corrido, também não precisamos de muitas explicações sobre o que são administrações e administradores de excelência!

Boas e competentes gestões!

E já agora, dizer que, com tais “experts”, não há volta a dar! Estamos, entretanto, a pagar um ordenado chorudo de 25.400 €/mês ao senhor Sérgio Monteiro, encaixado no Banco de Portugal e responsável pela venda do Novo Banco. Caso venham a existir derrapagens na resolução do processo, para além das extensões do contrato já efetuadas, poderá este senhor terminar o seu contrato no final de Abril próximo, o que representa um custo adicional para o país de 152,4 mil euros.

Por favor, tenhamos e exijamos um pingo de decência e bom senso! Para reformas e pensões em geral, e nas mínimas em especial, nada!

Estes casos e situações ultrapassam tudo o que se possa chamar de bom senso e perspetiva de recuperação de algo de que fomos usurpados durante, pelo menos, 4 anos. Pelo menos!

Estes desaforos são ainda a consequência dos ditames, vindos da Europa, duma Europa para quem apenas contam como gente de carne e osso todos aqueles que estão de alma e coração, apenas e tão só com a Finança! São estes, afinal, os atuais valores humanos desta Europa!

E, como se tudo isto não bastasse !!!...

Para colmatar todos estes desaforos, temos ainda a obstinada e arrogante recusa, por parte destes senhores novos administradores da CGD, da entrega das suas Declarações de Rendimentos e Património no Tribunal Constitucional.

Sobre isso parece que os últimos dias têm trazido alguma clarificação. Na obrigatoriedade em questão, aliás já confirmada pelo P.R., minha gente, os ditos cujos querem ainda mais uma exceção. Se, entregarem as declarações, que ninguém mais possa vir a saber o que é que eles possuem! Pergunto eu, ingenuamente: mas porquê? O que é que querem esconder de nós?

Considero todas estas atitudes de uma total e intolerante arrogância por parte de uma burguesia pesporrente.

E muitos poucos de nós temos conhecimento de que entre 2011 e 2016, quase duas dezenas de políticos e gestores, perderam os seus mandatos após a recusa da entrega das respetivas declarações de rendimentos e património no TC. Entre eles, por exemplo, Manuel Champalimaud foi destituído do cargo de administrador da REN.

Que gente esta, hein!...

E o Povo, pá?...

E para as pensões mínimas, pá?

Onde estão todos esses euros que se vão assim derramando, e nos saberiam, a mel?

Tantas e tantas pequenas verbas que poderiam ser adicionadas ao orçamento do debilitado Serviço Nacional de Saúde, ao orçamento para mais apoios na e para a Educação. E até tenho vergonha de aflorar a Cultura. Que Cultura meus senhores! Uma tristeza profunda me enche a alma ao ver a ruína em que se encontra o Conservatório Nacional?

Meus senhores, haja decência, muita decência e não se tente reentrar no caminho da arrogância porque, para esse peditório, estamos muito cansados de dar!

Sobre o/a autor(a)

Reformada. Tradutora e Assistente no Depto. Médico duma multinacional americana da indústria e comércio farmacêuticos. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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