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Negócios fedorentos

Portugal foi palco de uma campanha ideológica que favoreceu, ao longo dos últimos anos, uma poderosa agenda de privatizações e benefícios ao acolhimento de qualquer tipo de investimento.

O resultado foi uma postura totalmente acrítica quanto ao propósito da alienação de empresas estratégicas, mas também quanto ao tipo de investimento em causa.

A privatização da EGF, empresa de gestão de resíduos urbanos, é um desses exemplos. Quem tentou impedir a operação alegou, com razão, para os perigos da entrega de atividade tão lucrativa a privados. Em Itália, onde a experiência já tinha sido feita, as empresas privadas passaram a receber milhões que desviaram para os negócios da máfia, depositando o lixo em aterros ilegais.

O excesso de resíduos por tratar criou um enorme problema no sul de Itália. Parte desse problema está agora a ser resolvido através da exportação de resíduos para outros países. Ficámos, na semana passada, a saber que Portugal ficou com uma parte desse negócio.

Chegaram ao porto de Setúbal 2736 toneladas de resíduos não tratados importados de Itália pelo grupo SAPEC. Espera-se que, durante um ano, possam vir a chegar mais 60 mil toneladas de lixo a Portugal. Tudo isto sem conhecimento prévio da Inspeção-Geral do Ambiente.

Com ou sem lucro, este negócio é perigoso para o país, que não tem nada que fazer de aterro da Europa.

Artigo publicado no “Jornal de Notícias” a 8 de novembro de 2016

Sobre o/a autor(a)

Deputada. Dirigente do Bloco de Esquerda. Economista.
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