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Convocatória da Cimeira Alternativa dos Povos

Em Maio de 2010, sob a Presidência espanhola da União Europeia, reunir-se-ão na cidade de Madrid os presidentes e chefes de Estado da União Europeia, América Latina e das Caraíbas. O "Velho Continente", convertido hoje na Europa do capital e da guerra, buscará nesta nova Cimeira impulsionar políticas e mecanismos para favorecer o capital financeiro e as grandes corporações transnacionais, por meio da usurpação dos recursos naturais e da privatização dos serviços públicos, disfarçados de promessas de desenvolvimento.

Esta Cimeira será realizada sob os efeitos de uma crise financeira, económica, ambiental e social que resultaram em mais desemprego e precariedade na Europa e mais pobreza e exclusão social na América Latina.

Na Europa, movimentos e organizações sociais assistem ao avanço progressivo da direita e ao ataque cada vez mais forte e agressivo ao conjunto de direitos e conquistas laborais, económicas, sociais, culturais e ambientais. A recente aprovação do Tratado de Lisboa - feito de maneira antidemocrática por ter negado a participação directa da população - favorecerá, entre outras coisas, os interesses das corporações transnacionais, por meio dos acordos de livre comércio e da liberalização dos investimentos, prejudicando os direitos dos povos e o meio ambiente. A Europa fortaleza, militarizada, xenófoba, desumana, com menos serviços públicos e mais privatizações, não é nossa Europa. A esta Europa do capital, da guerra e à sua crise contrapomos a solidariedade entre os povos.

Na América Latina e Caraíbas, a resistência dos movimentos sociais continua a crescer, e ao lado de alguns governos latino-americanos, estão a lutar para defender a sua soberania e implementar novos projectos políticos de mudança social. Estes esforços são alvo de acções criminosas, como o golpe de Estado nas Honduras, uma ameaça concreta para todo o continente.

Assim como a chegada de Barack Obama, que não provocou mudança na política dos Estados Unidos para a região - como ficou demonstrado pela instalação de bases militares na Colômbia - da mesma forma e coincidindo com o aniversário do bicentenário das independências, a União Europeia ataca os processos de integração regional, tendo como carro-chefe o governo espanhol e as suas transnacionais. Disfarçadas de cooperação e desenvolvimento com os tratados de livre comércio, as novas caravelas da reconquista buscam consolidar o seu domínio na região.

A rede Birregional Europa, América Latina e Caraíbas "Enlazando Alternativas", e outras redes, mobilizam-se pela quarta vez para a construção de um espaço político birregional. Como fizemos em Guadalajara, México (2004), Viena, Áustria (2006) e Lima, Peru (2008), a Cúpula Alternativa dos Povos, Enlazando Alternativas 4, que será realizada de 14 a 18 de Maio de 2010, servirá para fortalecer novas convergências solidárias entre os nossos povos, resistências populares emergentes e para construir um espaço político e de mobilização birregional, apesar da criminalização dos movimentos sociais.

Convocamos todas as redes sociais, sindicatos, forças políticas e movimentos da sociedade civil para se somarem ao processo de preparação e participar da Cúpula Alternativa dos Povos, Enlazando Alternativas 4, em Madrid, em defesa da soberania dos povos, dos direitos humanos, da democracia participativa, dos direitos sindicais, das mulheres, dos povos indígenas, da justiça social, da protecção do meio ambiente, da paz e contra as mudanças climáticas, onde quer que seja.

Não somos invisíveis, nós temos demonstrado isso. Gandhi disse: "Primeiro eles ignoram-te, depois riem de ti, então tu lutas. E então vences."

Eles estão a lutar contra nós.

Para assinar a convocatória, envie um email para: red.enlazandoalternativas@gmail.com

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Resto dossier

Cimeira UE-América Latina

Realiza-se nos próximos dias 15 a 19 de Maio a Cimeira América Latina, Caraíbas e União Europeia (ALC-UE). Neste dossier, o Esquerda.net divulga a convocatória da cimeira alternativa e apresenta artigos que contribuem para um panorama político de alguns dos principais países da América Latina, e da relação do continente com a UE.

Cimeira América Latina, Caraíbas e União Europeia - e Conferência Alternativa dos Povos

Um resumo das cimeiras UE - América Latina, que começaram em 1999, e dados, fontes e programa da cimeira alternativa.

Brasil: Os impasses do modelo econômico sob Lula

Tenho defendido com freqüência a necessidade de superarmos o actual modelo econômico, em curso no país desde o início dos anos 90.

América Latina e Europa: relação ainda intermediada pela Espanha?

Ninguém na Europa questiona a relação especial de idioma e raízes comuns. Mas será que, 200 anos depois das independências, a Espanha ainda representa as suas ex-colónias na União Europeia?

Convocatória da Cimeira Alternativa dos Povos

Texto da convocatória da Cimeira Alternativa dos Povos, Enlazando Alternativas 4 - Madrid, 14 a 18 de maio de 2010.

"América Latina deixou de ser fundo de quintal dos EUA"

A região estabilizou as suas moedas e índices inflacionários, crescem a procura interna e a exportação. Apesar da crise e dos desafios sociais em aberto, as perspectivas latino-americanas são optimistas, com o Brasil à frente. Por Pablo Kummetz, da Deutsche Welle.

Haiti precisa de investimentos permanentes

O auxílio que chega em épocas de catástrofe deve adquirir uma forma estrutural de médio e longo prazo, diz José Luis Patrola, que actua no Haiti pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra.

Reconstrução do Chile, oportunidade de negócios capitalistas

É uma aberração que a reconstrução do Chile seja apresentada como uma "oportunidade de negócio" para os empresários, e que a isso se chame cooperação fraternal.

A Venezuela poderá tornar-se ingovernável

Heinz Dieterich, ideólogo do conceito de Socialismo do século XXI, assegura nesta entrevista que "o discurso anticapitalista do presidente [Chávez] não é apoiado pelos factos". Adverte que a sociedade está dividida em dois grandes blocos e reconhece a possibilidade de uma forte queda no apoio a Chávez. Por Vladimir Villegas, El Nacional.

Honduras: O exército continua por detrás do Governo

O líder da Resistência Carlos H. Reyes responsabiliza a repressão pelo assassinato de jornalistas nas Honduras e denuncia que o governo das Honduras continua a ser dominado pelo exército.

Nasce um novo movimento climático na Bolívia

A Bolívia está em meio a uma dramática transformação política, que nacionalizou indústrias e elevou como nunca as vozes indígenas. Mas as suas geleiras andinas estão a derreter a uma velocidade alarmante, ameaçando o fornecimento de água em duas de suas principais cidades.

Os desafios dos movimentos sociais, hoje

Nesta entrevista ao IHU On-Line, o sociólogo brasileiro Rudá Ricci defende que muitos movimentos sociais subordinaram-se à dinâmica e lógica dos governos e sofreram "uma cooptação branca".