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Queixinhas

Das reuniões do PR com os partidos e parceiros sociais sobre a possibilidade de abertura de uma crise política, destaca-se a lista de oito páginas de “queixinhas” das confederações patronais.

No decorrer das reuniões do Presidente da República com os partidos e parceiros sociais sobre a possibilidade de abertura de uma crise política, a propósito de haver ou não sanções por défice excessivo, do orçamento do estado/2017 do diabo ou do diabo do orçamento, concluiu-se que a “crise afinal se tinha evaporado!”.

O que sobrou destas reuniões? A “geringonça” continua a ter espaço de intervenção e até de atuação, o veto presidencial sobre os transportes coletivos do Porto (que vedava a entrada de privados no capital da empresa) e a lista de oito páginas de “queixinhas” das confederações patronais, algumas pasme-se pela “falta de investimento” ou na “falha das previsões de crescimento económico”.

À saída, o alvo do patrão da Indústria foi mais uma vez o Bloco de Esquerda, deixando ainda a lamentação pelas “decisões tomadas pelo Governo de acordo 'com outras forças políticas e deixando de fora os parceiros sociais e a concertação social', desde o aumento do salário mínimo, à reposição de feriados, mas também os diplomas que, no Parlamento, aguardam aprovação e que alargam para 25 dias as férias no sector privado, ou reduzem para 35 horas o período de laboração em todos os sectores de atividade. E, diz a CIP, o projeto que, ainda na semana passada, a maioria de esquerda aprovou de “combate às formas modernas de trabalho forçado revela uma atitude persecutória e enferma de inconstitucionalidade”.1

É difícil às confederações patronais “compreenderem” que há uma maioria eleita no parlamento que apostou na interrupção do ciclo de austeridade que nem tudo se decide fora do parlamento (concertação social) como antes e que há ainda muito a trabalhar, para colocar o País no caminho do investimento, do crescimento e do emprego, num quadro político europeu e internacional bastante complexo, adverso e difícil.

No caminho para o orçamento e para além dele, há toda uma agenda laboral a que a “geringonça” vai ter de dar resposta, nomeadamente: um consequente combate à precariedade (contratos a prazo, trabalho temporário, “contratos de emprego-inserção”); criação de empregos de qualidade; formação e qualificação massificada; aumentos salariais no público e no privado; 35 horas de trabalho para todos!; reposição “do tratamento mais favorável” no código e promoção da livre negociação e contratação coletiva, pondo fim à caducidade das convenções.

Há todo um movimento social e laboral que é preciso pôr em marcha, num combate pelo futuro com dignidade e respeito, onde todos à esquerda têm o seu contributo a dar.


1 Jornal Expresso de 30 de julho de 2016

Sobre o/a autor(a)

Deputado municipal em Lisboa. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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