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A profissão de fé de António Ventura

Na semana passada assistimos à profissão de fé do deputado António Ventura às metas impostas pelo diretório europeu.

Ansioso por demonstrar que é um aluno obediente de Schäuble, Merkel e Lagarde, e apoiado por um senso comum que compara, com a maior leviandade e superficialidade, diretamente um Orçamento de Estado com um orçamento de uma família ou de uma empresa, lá vai apontando e denunciando aqueles que são os pretensos desvios à lição deste governo da República.

Que o PS crê, ingenuamente ou não, numa leitura criativa do Tratado Orçamental não é novidade, motivo para que insista em jogar em dois tabuleiros: o tabuleiro dos eurocratas e o tabuleiro do compromisso que tem com os portugueses.

O Bloco de Esquerda mostrou, já há muito, aos portugueses que é urgente relançar a economia e reestruturar a dívida, e que não acredita que o cumprimento de metas irrealistas dê resultados positivos para o país, porque encolhe o investimento público, corta salários e pensões como receita para pagar uma dívida pública impagável, e que ainda mais impagável será se persistirem em tal solução.

O PSD também já escolheu de que lado está. Continua a seguir a lição da austeridade, que já deu provas de completo insucesso, naquela que é uma prova de extrema insensatez.

António Ventura e o PSD continuam a estar do lado de quem quer impor a pobreza ao povo português e outros povos europeus, não como meio para alcançar o equilíbrio das contas públicas, mas para agravar o défice e a dívida pública, pois esse tem sido o resultado de quem tem sido o bom aluno de Schäuble e Merkel.

António Ventura deveria questionar-se sobre a razão pela qual os seus professores só exigem resultados de Portugal, Espanha e Irlanda, quando 24 dos 28 Estados membros da União Europeia não cumprem as metas orçamentais que teimam em valer mais para quem mais tem seguido com fé cega todas as diretrizes económicas emanadas por Schäuble e Merkel.

Momento gongórico da semana: O pináculo da sapiência somente atesta verdadeira enfronha a quem, sem ser servo de partido radical, é subserviente aos doutos e magnânimos que com muitas genuflexões aos interesses do eterno amigo (ou senhor) americano se conformam a uma pista muito bonitinha que muito tem servido à plebe.

Sobre o/a autor(a)

Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores. Membro do Bloco de Esquerda Açores. Licenciado em Psicologia Social e das Organizações
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