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Mobilização geral para enfrentar a austeridade

O 1º de Maio deste ano foi uma mobilização importante, que ocorreu num momento particularmente sensível. Perante um Governo que repete anúncios de austeridade para as vítimas da crise, embalado pela ditadura dos especuladores e outros abutres da miséria geral, numa semana em que o centrão se juntou para cumprir o seu desígnio na mensagem que nos vende à exaustão a inevitabilidade de levar pancada para suportar a ganância, os trabalhadores saíram à rua em grande número. Em Lisboa, cerca de 90 mil pessoas estiveram nas comemorações do Dia do Trabalhador organizadas pela CGTP, que foram, antes de mais, uma jornada de protesto contra o desemprego e a perseguição à classe trabalhadora no seu conjunto.

Não foram, portanto, cumpridas as "ordens" das vozes que clamam obediência perante a evidência do roubo organizado. A Ministra do Trabalho, nas vésperas do 1º de Maio, não hesitou em pedir aos sindicatos para serem "responsáveis", cavalgando o medo e o espectro duma crise em cima da crise, navegando a onda dos ratings ameaçadores, que, claro está, dizem esperar sempre por sinais de "tranquilidade". Mas os trabalhadores estiveram na rua, a combater o desemprego e os cortes nas prestações sociais, mas também a precariedade e a degradação generalizada das condições de trabalho - o movimento dos trabalhadores precários voltou a contribuir para a mobilização, afirmando a sua condição e o ataque generalizado a quem trabalha para sobreviver, juntando a combatividade das iniciativas MayDay, em Lisboa e no Porto.

Mas este Dia do Trabalhador fica ainda marcado pelo apelo a uma nova mobilização. No seu discurso na Alameda D. Afonso Henriques, Carvalho da Silva anunciou uma grande manifestação nacional, a realizar no próximo dia 29 em Lisboa, "contra o desemprego", pelo "emprego com direitos" e por "melhores salários para todos".

Este protesto de 29 de Maio tem que ser um dia de mobilização geral para enfrentar esta agressividade sem fim contra o conjunto dos trabalhadores. É necessária uma resposta firme à violência anti-social do Governo e dos seus aliados para impor o PEC e o que vier a seguir. E exigir que a resposta à crise proteja a maioria e não os delinquentes que agora exigem continuar a lucrar com ela. Aqui se têm que juntar os trabalhadores do sector público e do sector privado, têm que falar os desempregados e os precários: todas as vítimas da crise e da austeridade selectiva, a serem afastados ou já excluídos dos direitos sociais e laborais, num grande protesto que rompa um falso consenso que se quer impôr nas políticas miseráveis. "Não pagamos a crise deles!": um grito que se ouviu no 1º de Maio e que precisa de engrossar para que possa concretizar-se.

Sobre o/a autor(a)

Ativista da Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis
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