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A dimensão paralela fora-da-Lei

Sim, existe uma dimensão paralela ao nosso mundo, onde só alguns entram e onde não há Lei. Parece um filme de ficção, mas não é.

A brutal fuga de informação que apresentou ao Mundo a teia de corrupção envolvendo várias empresas e várias personalidades conhecidas, do futebol à política, passando por oligarquias e chegando a espiões, “Panamá papers”, está a dar a conhecer como sociedades de advogados, bancos e empresas, conseguem atuar fora da Lei. É isso mesmo que são os offshores – territórios sem Lei, onde se lava dinheiro e se escondem fortunas.

Os resultados das investigações levadas a cabo pelo consórcio internacional de jornalistas de investigação, apenas começaram a ser conhecidas e pelo menos um primeiro-ministro já caiu.

Esperemos pelos resultados seguintes. Mas importa sobretudo que com esta hecatombe, as coisas não fiquem na mesma e se ataque o essencial da questão – a existência de offshores.

São esperadas as declarações do costume – é muito complicado, têm que ser medidas concertadas entre todos os Estados. Mas todos sabemos que muito do dinheiro criminoso circula nestas “praças financeiras”, aqui se esconde o dinheiro que foge aos impostos, protegido pelo manto do sigilo. Aqui se esconde o dinheiro da corrupção – o polvo entre a economia e a política, da guerra, do tráfico de armas, do tráfico de seres humanos, da droga. Não será tempo de se acabar com este “mundo paralelo”, com esta outra dimensão onde só entram os muito ricos, para se protegerem e acumularem ainda mais riqueza?

Aquilo que é normal para milhões de seres humanos neste planeta – pagar impostos, contribuir assim para que os Estados garantam as suas funções, esfuma-se para aqueles que criam esquemas e mais esquemas e acabam por colocar o seu dinheiro, a salvo dessa obrigação primária de contribuir com os seus impostos, quando entram nessa “dimensão paralela” à qual só têm acesso os privilegiados.

Agora, começámos a saber, vai entrar pela nossa casa dentro à hora de jantar.

Continuaremos indiferentes? Há que começar por algum lado e Portugal pode começar por fechar o offshore da Madeira. Pouco? Não me parece. Se a isto acrescentar a criminalização do enriquecimento injustificado, maior transparência na declaração de rendimentos e bens dos detentores de cargos políticos e públicos, mais longe chegaremos. Continuar tudo na mesma é que não.

Artigo publicado em mediotejo.net

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Vereadora da Câmara de Torres Novas. Animadora social.
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