João Alexandrino Fernandes

João Alexandrino Fernandes

Professor universitário em Tübingen, Alemanha


De um governo em que se aceitam ministros com licenciaturas falsas, só podem sair ideias de governação primitivas, ideias que criarão uma sociedade primitiva.

Eis uma forma simples de desmontar o mecanismo ideológico que subverte três valores fundamentais.

Com este insulto Passos Coelho apenas mostra que é um político falhado e vai já atirando as culpas do seu falhanço para cima dos outros.

Não é um acaso, nem uma lei da natureza, é uma decisão social.

Agora, quando a pergunta de todos os dias é, como é que se vai sair da “crise”, não seria talvez despropositado recordar como é que se lá chegou. Teria esta crise sido evitável?

Este é o título de uma notícia publicada esta quinta-feira na comunicação social alemã. O artigo relata a crise económica e social vivida no nosso país, descrevendo a situação de Portugal como “sombria” e alertando para a sua agudização em 2012.

Merkel põe em primeiro plano os interesses económicos da Alemanha das elites e tem uma visão limitativa da Europa, desinteressando-se por completo da questão social. É este o modelo europeu que defende.

Ministro da Economia diz que a falência da Grécia é uma hipótese pensável; mas o das Finanças afirma que, até agora, a Alemanha não pagou nada a Atenas, e que é Berlim quem tira o maior proveito da moeda comum.

Que interessará aos especuladores que o décife orçamental seja, na altura [em 2013], maior ou menor, se o país estiver, de facto, financeira, económica, e socialmente arruinado? Quem vai querer nessa altura adquirir títulos da dívida pública portuguesa? E a que preços?

O Financial Times alemão vem no dia 8 referir-se ao problema da negociação do “pedido de ajuda” de Portugal e conclui que, indiferentemente de quem vier a ganhar as eleições, a política de austeridade deve ficar desde já assegurada.