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Lugares comuns

Se o comentador Marcelo fosse chamado a classificar o discurso do presidente Marcelo, não lhe dava sequer suficiente.

Um discurso que frustrou a expectativa. Marcelo ia finalmente falar, deixando para trás os silêncios e as meias palavras da campanha, dizendo finalmente o que pensa e ao que vem. Não foi assim. Ouvido o discurso, fica a sensação de que podia ter sido feito por qualquer outro presidente, em qualquer outro tempo e circunstância. Foi um discurso de lugares comuns, colorido com algumas referências literárias e históricas, entre as quais uma infeliz citação de Mouzinho de Albuquerque mais própria de um antigo ministro do Ultramar.

Fica por saber se a afirmação “a Constituição não é intocável” traduz alguma intenção de favorecer a sua revisão. Como fica por perceber como fará Marcelo a pacificação dos conflitos e a cicatrização das feridas se nos lembrarmos que, num e noutro caso, são o fruto da governação dos partidos que o apoiaram.

Se o comentador Marcelo fosse chamado a classificar o discurso do presidente Marcelo, não lhe dava sequer suficiente. E eu concordaria com ele, de zero a vinte, dou-lhe nove.

Há cinco anos, com Cavaco, os cravos caíram da tribuna. Hoje, com Marcelo, não havia cravos, havia rosas. No final, já estavam a murchar.

Depoimento publicado na edição do Público de 9 de março e na página de João Semedo no facebook

Sobre o/a autor(a)

Médico. Aderente do Bloco de Esquerda.
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