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“Não queria que ninguém passasse pelo que eu passei por ser trans”

Entrevista a Duarte Gaio sobre as reivindicações da comunidade, a importância do ativismo trans e o que mudou dez anos depois do assassinato de Gisberta. Por Joana Campos.
Foto de Paulete Matos

O esquerda.net entrevistou Duarte Gaio, ativista trans emcoletivos Queer e feministas. Duarte apresenta-se como “poliamoroso, demissexual, pansexual, vegan, queer, não-binário (demiguy), etc, uma mão cheia de rótulos que estou empenhado para que um dia soem a mais que palavras”.

Porque começaste a fazer ativismo? Qual é o teu historial de ativismo?

Esta é difícil… até porque não sei definir que ativismo faço. Tenho neste momento 27 anos e só me comecei a interessar por política/ ativismo por volta dos 23. E completamente sem querer.

Uma amiga da altura (com quem vim a namorar por 2 anos e meio) convidou-me para uma manifestação como quem combina um café. Dei por mim no meio da Slutwalk Lisboa. A partir daí começamos em conjunto a ir a todas as manifestações que podíamos (e que nos interessavam), fazendo registos fotográficos e em vídeo, conhecendo pessoas interessantes e questionando mil coisas que se iam acumulando.

Comecei a fazer ativismo porque não queria fazer parte de um mundo em que alguém passasse pelo que eu passei por ser trans. Queria ser ouvido, queria ser visto, queria chegar às pessoas próximas e entretanto também às distantes. Queria existir e saber que uma futura geração existirá com menos obstáculos. Queria, numa lógica muito egocêntrica de utilidade de mim próprio, manter-me vivo na ambição aparentemente altruísta de combater papéis de género e transfobia.

Por esta altura (2012) juntei-me a um coletivo de Poetry-Slam que me fez entender a relação linda que política e arte podem ter. Enquanto pessoa criativa isto mudou-me a vida. Foi um momento gigante para mim. Foi o ano em que me assumi como trans e decidi explorar-me em tantos sentidos.

Um ano depois emigrei e dei por mim a estar ainda mais atento aos acontecimentos e a falar abertamente com os que me eram próximos. Ativismo de pouco alcance mas relevante, suponho. Quando voltei juntei-me a outro coletivo, desta vez feminista, no qual comecei a escrever artigos sobre particularidades de ser trans. Saí de ambos entretanto. Neste momento estou em dois, ambos transfeministas (Lóbula e Panteras Rosa). É nos constantes projectos destes coletivos e nos meus projectos “artísticos” pessoais que se baseia o meu ativismo.

Mas voltando à questão: comecei a fazer ativismo porque não queria fazer parte de um Mundo em que alguém passasse pelo que eu passei por ser trans. Queria ser ouvido, queria ser visto, queria chegar às pessoas próximas e entretanto também às distantes. Queria existir e saber que uma futura geração existirá com menos obstáculos. Queria, numa lógica muito egocêntrica de utilidade de mim próprio, manter-me vivo na ambição aparentemente altruísta de combater papéis de género e transfobia. E resultou. Porque não só sobrevivi como noto o impacto que tive noutras pessoas. Pequenito mas existente.

Podes resumir as tuas exigências da comunidade trans?

Não são muitas. Da comunidade trans não exijo mais que o não refletirem o sexismo e cissexismo que existe na sociedade. Infelizmente a pressão para que desempenhemos certo papel de género é ainda maior em pessoas trans.

Da pessoa trans percecionada como homem espera-se o estereótipo de homem. Maneirismos e gostos “masculinos”, heterossexual, de corpo musculado, peito liso, pêlos em todo o lado e voz o mais grossa possível, que fala por cima delas e não pede desculpa nunca, ciumento quando ama, agressivo quando não gosta, humor baseado em piadinhas machistas, binárias e falocêntricas, procura do máximo de parceiros sexuais na performance de género que a isso empurra (já não será visto como “puta” mas sim como engatatão), etc.

Da pessoa trans percecionada como homem espera-se o estereótipo de homem. Maneirismos e gostos “masculinos”, heterossexual, de corpo musculado, peito liso, pêlos em todo o lado e voz o mais grossa possível. Da pessoa trans percepcionada como mulher espera-se o cúmulo de feminilidade e estereótipo de mulher. Da comunidade trans exijo só que desconstruamos o que nos ensinaram e não troquemos só de papel social.

Da pessoa trans percepcionada como mulher espera-se o cúmulo de feminilidade e estereótipo de mulher. Tem de ser bonita ou esforçar-se nesse sentido… como se o objectivo de qualquer mulher fosse o ser vista como bonita (reduzindo a sua existência a esta objetificação sexual), maneirismos e gostos “femininos”, heterossexual, de corpo magro e com certas formas, que pede desculpa com cada café e só fala depois de ouvir se der tempo, que ri das piadas sem criticar até que deixem de lhe soar a ofensivas e questionáveis, com planos sempre a dois porque, que horror, antes casada num ambiente desgastante, de dependência financeira, papeis domésticos descaradamente marcados pelo seu género mas possibilidade de constituir família, do que solteirona com dois gatos, etc.

Da comunidade trans exijo só isto. Que desconstruamos o que nos ensinaram e não troquemos só de papel social.

O que representa o trabalho trans, feito por pessoas trans?

Tudo. Não faz sentido que seja feito de outra forma. Vou usar um exemplo: faria sentido ter um grupo de mulheres heterossexuais a representarem a comunidade lésbica? A falarem por elas? A assumirem o melhor que pudessem quais as dificuldades e mudanças consequentemente necessárias para a comunidade lésbica? Parece-me fácil responder que “não”.

No que toca a assuntos trans… a resposta ainda não parece óbvia para a maioria das pessoas, inclusivé para a maioria das pessoas da comunidade LGBTQIA. Ninguém pode falar por nós porque ninguém senão nós, pessoas trans, passam pelas experiências pelas quais passamos. A mesma lógica se aplica a qualquer minoria/grupo oprimido.

Faria sentido ter um grupo de mulheres heterossexuais a representarem a comunidade lésbica? A falarem por elas? Parece-me fácil responder que “não”. Ninguém pode falar por nós porque ninguém senão nós, pessoas trans, passam pelas experiências pelas quais passamos.

E sim, aliados são obviamente bem-vindos. E quem me dera ter muitos mais, que não se mostrassem aliados só na marcha ou no facebook e que se levantassem quando vêm uma mulher trans a ser ofendida/espancada na rua, não rissem com a piadinha sexista na tasca, não consumissem filmes/espetáculos cujo humor assenta na ridicularização da feminilidade, não impusessem limites na escolha da roupa, brinquedos e desportos aos filhos com base na sua genitália, não policiassem as nossas idas às casas de banho empurrando-me para a das pessoas com diversidade funcional, não me viessem falar da sua dificuldade em respeitar o pronome do amigo que ainda “não parece um homem e isto torna-se embaraçoso na rua”, etc.

Aliados não falam por mim. E parece-me absurdo que em 2016 ainda tenha receio de pedir para falar por mim próprio, sentir que “exijo” demais quando “exijo” que nos representemos a nós próprios, afastando a hipótese de, como sempre, ter pessoas cis no meu lugar.

Olhando para os 10 anos que passaram desde o assassinato da Gisberta, quais foram, a teu ver, os acontecimentos mais marcantes na comunidade? E para ti, pessoalmente (se houver alguma coisa sobre a qual queres falar)? E em termos de acesso à saúde, trabalho e à violência sofrida? E em termos de legislação? 

Ora… nestes dez anos, a meu ver, o que mais mudou foi mesmo a disseminação de informação. O caso Gisberta, em Portugal, representa um marco enorme no sentido em que deu origem ao levantamento de questões sobre a comunidade trans. Não foi um caso único mas, pela brutalidade envolvida na sua morte e graças ao empenho de coletivos em agarrar o seu exemplo, foi o mais falado e marcante até então.

O caso Gisberta, em Portugal, representa um marco enorme no sentido em que deu origem ao levantamento de questões sobre a comunidade trans. Foi o caso mais falado e marcante até então.

Outro acontecimento marcante terá sido a mudança de lei em 2010/2011, que apesar de péssima por continuar a considerar pessoas trans incapazes de se dizerem trans até terem diagnósticos clínicos, e só então, com todas as burocracias e “experiências sociais” e invasão de privacidade e avaliações com base em parâmetros com que nem os manuais de psicologia já concordam, permite que mudemos de nome e género no BI sem termos de ir a tribunal como antes, e sem termos de realizar cirurgias genitais.

Pessoalmente… o acontecimento mais marcante nos últimos 10 anos foi o ter encontrado a Lara e a Eduarda do Grupo Transexual Portugal, sem querer, numa marcha, e ter percebido que afinal havia um sitio para mim, afinal existimos aqui, afinal há quem saia do armário e tenha força para fazer ativismo, como elas, e se elas conseguem eu se calhar também consigo. E consegui.

Outro acontecimento marcante para mim foi o ter encontrado outras pessoas trans, algumas das quais minhas amigas desde então, com as quais ampliei as minhas possibilidades, percebendo que ser trans nada tem a ver com o querer tomar hormonas, querer cirurgias ou sentir-me no “corpo errado” (expressão que aliás detesto. O meu corpo não é errado nem nunca foi, mas antes não era percepcionado como sendo do género com que me identifico.) Que posso ser feminino na mesma, que posso não ser heterossexual na mesma, que posso brincar com a minha expressão de género como sempre fiz, mas desta vez sentindo-me respeitado quando me chamam pelo nome e sentindo que o meu corpinho não-normativo reflete melhor o que sempre desejei que fosse, inexplicavelmente.

Ser trans nada tem a ver com o querer tomar hormonas, querer cirurgias ou sentir-me no “corpo errado”. O meu corpo não é errado nem nunca foi, mas antes não era percepcionado como sendo do género com que me identifico. Posso ser feminino na mesma, posso não ser heterossexual, posso brincar com a minha expressão de género como sempre fiz, mas desta vez sentindo-me respeitado quando me chamam pelo nome e sentindo que o meu corpinho não-normativo reflete melhor o que sempre desejei que fosse.

Em termos de acesso à saúde, legislação e etc… temos muito por fazer. E estamos a trabalhar nisso.

Para começar é urgente que ser trans deixe de ser patologizado. Isto é interessante… porque mais uma vez, se falarmos dos tempos (não muito longínquos) em que a homossexualidade era vista como uma doença/perturbação mental, rapidamente entendemos a urgência na altura de mudar leis e manuais clínicos e necessidades de acompanhamento consoante a orientação sexual de um individuo. E ainda hoje não se sabe muito bem o que leva alguém a não ser hetero (eu também não sei muito bem o que leva alguém a sê-lo). Mas isso é irrelevante no que toca a dar os mesmos direitos a toda a gente, certo? Seja a orientação sexual uma escolha, uma construção, algo inato, ou o que quer que acreditemos que seja, investigações à parte, merecemos direitos iguais.

Em relação a pessoas trans ainda estamos neste processo… somos alvo de teorias e investigações e avaliações, num constante atrasar dos direitos que como qualquer pessoa devíamos ter. Não temos acesso a cirurgias ou hormonas (caso as queiramos) até passarmos por tudo isto. Não temos de ser respeitados no trabalho, na escola, nos serviços públicos, onde seja, até que passemos por diagnósticos que digam que sim, “esta pessoa já pode ser tratada por certo pronome e usar o seu nome também legalmente”.

A lei não nos protege, agride-nos. E os acessos só existem se nos sujeitarmos àquilo que à partida ninguém se devia ter de sujeitar.

A lei não nos protege, agride-nos. E os acessos só existem se nos sujeitarmos àquilo que à partida ninguém se devia ter de sujeitar.

Queres falar um pouco sobre não binarismo de género?

Quero sim. Preciso. Ora não binarismo de género é a ideia de que não há só dois géneros (mulher e homem).

Quando inicialmente me assumi como transgénero assumi-me como “genderqueer”, ou seja, não me sentia nem como homem, nem como mulher. Entretanto, como senti necessidade de mudar o meu corpo, por sempre ter desejado ser percecionado como rapaz, pensei que tinha de ser um homem trans.

Na altura estava desinformado em relação a muita coisa (daqui a uns tempos olharei para trás e pensarei o mesmo, espero). Pensei que só seria legítimo querer mudar o meu corpo e pronome e nome se me identificasse como homem. Entrei num forçado processo para cumprir o melhor que pudesse o papel de homem. Tentei mudar a minha forma de andar, tentei ter menos jeitos com as mãos, tentei vestir-me de forma mais “masculina”, tentei muita coisa… para que me levassem a sério enquanto rapaz, para que me dessem os diagnósticos, para poder ter acesso ao que queria.

Não funcionou.

Continuei a ter maneirismos e a gostar de padrões de flores e a ouvir Beyoncé. E emigrei para receber os diagnósticos em Inglaterra, onde estes detalhes não fossem um entrave ao meu “tratamento hormonal”. E não foram de facto.

Entrei num forçado processo para cumprir o melhor que pudesse o papel de homem. Tentei mudar a minha forma de andar, tentei ter menos jeitos com as mãos, tentei vestir-me de forma mais “masculina”, tentei muita coisa… para que me levassem a sério enquanto rapaz, para que me dessem os diagnósticos, para poder ter acesso ao que queria. Não funcionou. Continuei a ter maneirismos e a gostar de padrões de flores e a ouvir Beyoncé.

Entretanto percebi que nada disto tem a ver com “ser homem” mas sim com a expressão de mim próprio. E que não tenho sequer de me identificar como homem. E que posso querer hormonas e cirurgias e não me ver como um homem. Passei a identificar-me de novo como não-binário, desta vez enquanto “demiguy”, um rótulo pouco conhecido que basicamente significa que me identifico com um género muito próximo de “homem” (ou então tenho a minha própria definição do que um homem pode ser, e nessa definição encaixo na perfeição).

Seja como for, demorei a perceber que a forma como quero ser visto pelos outros será sempre limitada pela visão binária da sociedade.

Se na sociedade aprendemos a olhar para as pessoas e a lê-las enquanto homens ou mulheres, e não me identificando eu, de todo, como mulher, preferi ser lido como homem. Para algumas pessoas trans cuja disforia é inexistente ou menor que a que eu senti, acaba por não haver a procura de uma transição física exactamente por isto: porque independentemente do género com que se identifiquem, vão continuar a ser lidas ou como uma coisa ou outra (mulher/homem). Sendo que nem uma nem outra leitura estarão corretas.

É estranho que limitemos o género a duas caixas. E na verdade, existirá alguém que se enquadre na perfeição no estereótipo de homem ou de mulher? E existirá alguém cujo género não se altere ao longo da vida?

Género é uma construção social, e como tal, é fácil perceber de onde vem a ideia de que só há dois. E também é fácil perceber que, havendo cada vez mais gente a dizer que não se identifica com nenhum deles, que têm de haver mais. Não é complicado. E até é bonito.

Olhando para nós enquanto crianças, quando a construção de normas e papéis sociais estava a começar, percebemos que éramos mais livres para explorar tudo e não nos orientávamos por linhas assentes no que escondíamos nas cuecas. E podíamos querer ser cabeleireira num dia e bombeira no outro, e gostar de azul hoje e rosa amanhã, e ser bom “líder” do trabalhinho de grupo e com constantes alterações emocionais na mesma, e preferir gomas a pizza, etc. Os gostos mudam, a própria personalidade vai mudando, as experiências acumulam-se, as atrações sexuais/românticas vão surgindo (ou não), e o nosso género vai-se construindo e alterando também, independentemente do que sintamos em relação ao nosso corpo.

Género é uma construção social, e como tal, é fácil perceber de onde vem a ideia de que só há dois. E também é fácil perceber que, havendo cada vez mais gente a dizer que não se identifica com nenhum deles, que têm de haver mais. Não é complicado. E até é bonito.

(...)

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