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Glossário Trans

O que significa gender bender, género não binário, transmisoginia ou MTF?
Foto de Daniela Goulart/Flickr

Andrógino: 1. pessoa que vive sem ser percepcionada como masculina ou feminina, nem adoptando comportamentos associados a qualquer dos géneros binários. 2. pessoa que apresenta características masculinas e femininas.

Bombeada ou Bombada: ser injetado com silicone livre, um modo barato mas ilegal para alterar a sua forma do corpo.

Cisgénero ou cis: pessoa cujo género designado à nascença é concordante com a identidade de género esperada, segundo o modelo tradicional. É, portanto, uma pessoa que segue o modelo tradicional de género. As pessoas cis, têm, por exemplo, a possibilidade de ter um cartão de cidadão que representa a sua identidade, ou de ter acesso mais facilitado à habitação, à educação e ao trabalho.

Cissexismo: a crença de que as pessoas cisgénero são inerentemente superiores ou “mais normais” do que as pessoas trans*.

Crossdresser: pessoa que gosta de se vestir com roupa e acessórios associados a outro género, seja por razões sexuais ou não.

Drag: forma de expressão que geralmente envolve representação exagerada de características de género. Uma pessoa é chamada “drag queen” se agir enquanto mulher, ou “drag king” se agir enquanto homem.

Expressão de género: conjunto de actos, expressões ou actividades que são genderizadas pelos outros, mas que também estão relacionadas com a forma de nos expressarmos socialmente.

F2M/FTM: pessoa a quem foi atribuído à nascença o sexo feminino e que faz a transição para o masculino.

“Gender bender”: alguém que mantém as caracterísicas gerais associadas ao seu papel de género, mas que lhes desafia os limites e o que é socialmente aceite (ex. um homem de vestido que continua a ser percepcionado como homem de vestido).

“Genderqueer”: qualquer pessoa que não aceita a expectativa de ter de se limitar apenas às duas apresentações de género autorizadas pela nossa cultura.

Género não binário: uma pessoa que não se identifica nem como homem, nem como mulher, exclusivamente ou de forma geral.

Homem trans* ou homem transgénero: pessoa que foi designada mulher à nascença mas que vive e/ou se identifica como homem.

Identidade de género: auto-percepção do nosso género. O género a que sentimos pertencer ou com o qual nos sentimos identificados (homem, mulher, não-binário, etc).

Ler (verbo): ser reconhecido como trans*, especialmente por uma pessoa não-trans*.

MTF/M2F: pessoa a quem foi atribuído à nascença o sexo masculino e que faz a transição para o feminino.

Mulher/rapariga real: um termo muito ofensivo usado para descrever mulheres não-trans*.

Mulher trans* ou mulher transgénero: pessoa que foi designada homem à nasceça mas que vive e/ou se identifica como mulher.

Não-op: alguém que vive como mulher ou homem, mas não pretende fazer operação genital.

Orientação sexual: Género ou géneros pelos quais nos sentimos atraídos. A orientação sexual é independente da identidade de género.

Orquiectomia: um termo médico para a castração.

Out: vivendo abertamente sobre o seu estado/identidade de trans*

Pack: colocar um objeto na roupa que sugere a presença de um pénis.

Pós-op: realizou uma vaginoplastia ou faloplastia. Às vezes usado como um adjetivo objetificante por Tlovers: "Pós-ops não me interessam de todo".

Pré-op: não fizeram vaginoplastia ou faloplastia, mas planeiam. Às vezes usado como um adjetivo objetificante por Tlovers: "Eu gosto apenas de pré-ops" Muitas pessoas sentem que a categorização em função do status cirúrgico dá demasiada ênfase a um procedimento que pode ser difícil de obter para muitas pessoas trans*.

Queer: Tentar definir “queer” é já, em grande medida, atraiçoar o termo e a sua abertura e múltipla utilização. É usado como um termo abrangente para qualquer pessoa fora das normas de género, incluindo gays, lésbicas, bissexuais, bem como as pessoas trans* ou mesmo pessoas heterossexuais não-conformes (exemplo: rapazes efeminadxs). Nos Estados Unidos, por exemplo, é frequentemente usado para referir orientações sexuais não orientadas para um único género. É também reivindicado, em oposição aos movimentos institucionais, como posicionamento político dos sectores mais radicalizados e menos essencialistas do movimento LGBTI que, entendendo como transversal a luta pela liberdade sexual procuram alianças com os sectores mais politizados de outros movimentos alvo de estigma, como os movimentos anti-racistas, feministas, ou dxs trabalhadorxs do sexo.

Sexo: características anatómicas e/ou cromossómicas que apresentamos quando nascemos.

Tlovers: pessoas que se sentem atraídas por pessoas trans.

Trans*: termo abrangente para pessoas que não se conformam ou identificam com as espectativas de género associadas com o sexo que lhes foi designado à nascença. Inclui identidades de género como género fluído, genderqueer, bigénero ou agénero.

Transfobia: medo ou receio irracional de pessoas trans*, mas também violência institucional, médica e social dirigida a pessoas trans*.

Transmisoginia: ideia de que a feminilidade e o ser feminino são vistas como inferiores e existem para o benefício do ser masculino e da masculinidade. Permite perceber como a transfobia intensifica a misoginia com que as mulheres trans* são confrontadas.

Nota de linguagem da Tranzine 2:

A utilização de trans* (com asterisco), quando utilizada, segue a intenção de Lucas Platero (2014), de marcar a diversidade de experiências, vidas e conhecimentos, por forma a incluir uma multitude de corpos e vidas tidas como fora da norma e/ou que a rejeitam.

Publicado na Tranzine nº 2, das Panteras Rosa, feito por Mi a partir de “trans**gender Basics”, LGBT Community Center, Nova Iorque, e adaptado por Sérgio Vitorino. Entradas adicionais traduzidas a partir do glossário de trans** Road Map por Mariana Vieira e Paulo Jorge Vieira. Revisão por Sérgio Vitorino.

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Resto dossier

10 anos sem Gisberta, o que mudou

A 22 de Fevereiro de 2006 o país acordou com a notícia da morte de Gisberta Salce Junior, encontrada assassinada num poço depois de três dias de tortura. O crime de ódio alertou a sociedade que fingia ignorar a fragilidade das vidas de tantas pessoas trans, a quem era negado o direito à identidade, ao acesso ao trabalho e a cuidados de saúde, expondo-as à violência gratuita. 10 anos passaram, o que mudou entretanto? Dossier organizado por Joana Campos.

Uma década depois, teria a vida de Gisberta sido diferente?

Nos últimos anos, a apropriação pelos média mainstream têm banalizado as identidades, vidas e vivências trans. Mas será que o dia a dia das pessoas melhorou? Por Joana Campos.

Gisberta

Este ano já foram assassinadas cerca de 300 pessoas transexuais em todo o Mundo, vítimas de crimes de ódio. Quantas mais Gisbertas precisam de morrer?

“Em Portugal há pessoas trans a morrer na indiferença geral”

A última entrevista que publicamos no dossier de homenagem à Gisberta foi feita a Sacha Touilh, de 30 anos, ativista trans francês. Por Joana Campos.

"Muito cedo percebi que as questões pessoais são necessariamente políticas"

O esquerda.net entrevistou Alice Cunha, de 19 anos, ativista trans dos coletivos Lóbula e Panteras Rosa. Por Joana Campos.

"O problema é não atribuirmos a autodeterminação às pessoas"

esquerda.net entrevistou Gabriela Moita sobre a lei da identidade de género, o acesso que a ela têm as pessoas e de que forma deveria ser melhorada, os problemas que enfrentam as pessoas que queiram fazer uma transição e as diferentes etapas do processo. Por Joana Campos.

“Não queria que ninguém passasse pelo que eu passei por ser trans”

Entrevista a Duarte Gaio sobre as reivindicações da comunidade, a importância do ativismo trans e o que mudou dez anos depois do assassinato de Gisberta. Por Joana Campos.

Agenda das homenagens a Gisberta

Calendário e descrição dos eventos marcados em homenagem à Gisberta.

O movimento LGBTI em Portugal: datas e factos

Esta cronologia, preparada por Bruno Maia, João Carlos Louçã e Sérgio Vitorino, mostra as datas mais importantes para o movimento LGBTI em Portugal nos últimos 114 anos. Só em 1982 se dá a descriminalização da homossexualidade e é em 1999 que Lei das Uniões de Facto passa a aplicar-se também aos casais homossexuais, apesar de ainda carecer de regulamentação. Pelo meio, ficam inúmeras episódios de homofobia e discriminação, mas também a criação de movimentos que vieram dar visibilidade à luta LGBTI. 

Glossário Trans

O que significa gender bender, género não binário, transmisoginia ou MTF?

Da Gisberta ao que está por fazer: memória e futuro de uma luta

Não me esqueço que, no início da primavera de 2006, alguma imprensa continuava a falar da Gisberta como “o travesti assassinado”, mesmo depois de saberem que a Gisberta era uma mulher trans. Não me esqueço dos debates e da resistência de alguns ativistas em falar em transfobia, palavra desconhecida e que foi preciso incluir no vocabulário da luta. Artigo de José Soeiro.

Geração Gisberta

Vale a pena analisar em detalhe cada uma das consequências que atribuímos ao “caso Gisberta”, os seus avanços, percalços, insuficiências, as resistências que se exerceram (inclusivamente a partir de dentro do movimento), bem como reconhecer que cada uma das transformações que refiro encerra, em si, contradições profundas. Artigo de Sérgio Vitorino.

Pessoas trans e intersexo: quem nos silencia?

As pessoas trans e intersexo sabem e podem falar por elas próprias.

LGBTI: O que é Intersexo?

A natureza não decide onde a categoria "masculina" termina e a categoria "intersexo" começa ou onde a categoria "intersexo" termina e a categoria "feminina" começa. Os seres humanos é que decidem. Por Sociedade Intersexual Norte Americana.