Joana Mortágua

Joana Mortágua

Deputada e dirigente do Bloco de Esquerda, licenciada em relações internacionais.

Quem ler o texto de A.S.S. fica com a sensação de que a extrema-direita nos caiu em cima por geração espontânea, obra e graça dos ventos da história, sem responsabilidades que possam ser assacadas.

As costas dos professores são largas, mas não chegam para carregar as culpas do fracasso do Governo.

O ministro João Costa tinha a obrigação de saber o lastro que o seu Governo carrega desde que se recusou a reconhecer o tempo de serviço roubado aos professores. Já não há ambiente, nem tempo nem espaço, para estados de graça.

O que a OCDE agora vem promover é a mesma proposta que a direita utilizou para esconder a mão neste debate durante as últimas décadas: uma suposta progressividade no pagamento de propinas, que permitiria financiar o Ensino Superior de forma justa.

Em nome de que justiça e de que rigor é que profissionais que ajudaram a construir o país que somos, um pouco menos inculto do que poderíamos ter sido, têm de se submeter a esta lotaria?

Na COP mais participada de sempre pelo lóbi do fóssil, também não espanta que tenham ficado para trás todas as ambições sobre a descarbonização e desfossilização da economia.

Há uma geração jovem que obrigou o país e o mundo a discutir aquilo que os super ricos e os meios de comunicação social entenderam não valorizar. É mesmo de mais autonomia que estes jovens precisam para se fazerem ouvir.

Uma das entidades concorrentes a financiamento bianual na área da dança foi a Companhia Clara Andermatt, uma companhia com 30 anos que fica pela primeira vez sem financiamento.

Infelizmente instalou-se uma trágica tradição em Portugal: achar que a Escola Pública avança deixando os professores para trás.

A direita quer normalizar o monstro, e ele fará dela a sua primeira vítima. Desejo melhor sorte ao Brasil, onde aos 92 anos Fernando Henrique Cardoso deu uma das lições mais importantes da sua vida.