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Tempos de esperança

Com a Marisa Presidente temos a certeza de que o juramento de que desempenhará fielmente as funções em que ficará investida e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição será uma realidade e não a letra morta ou caricatura a que o cavaquismo nos sujeitou.

Este é um tempo novo cheio de desafios, de dificuldades e que nos impele a que olhemos para a realidade sem preconceitos, sem tabus e sem esquemas formatados.

Conheci a Marisa há já alguns anos no processo da luta pela despenalização do aborto e na construção do 1º Fórum Social Português.

Tínhamos saído de uma derrota profunda com o primeiro referendo que se fez em Portugal – e não nos esquecemos do papel desempenhado por Marcelo Rebelo de Sousa nesse processo – e percebemos, os movimentos de mulheres e outras organizações sociais, que havia que repensar toda a forma de encarar a luta pelo direito à decisão das mulheres, o que implicava afinar o discurso e a argumentação e alargar a base de contactos e alianças se queríamos alcançar um direito que há muito tardava e que nos envergonhava porque punha mulheres no banco dos réus por uma decisão íntima que só a Elas competia – decidir sobre a sua vida, a sua sexualidade, o seu corpo. Foi nas muitas reuniões e deslocações a Coimbra que então conheci a Marisa.

Também no início deste século e deste milénio, quando do Brasil vieram os ventos dos movimentos sociais e dos Fóruns Sociais Mundiais e em Portugal se experimentou essa nova forma de encontro, debate e reflexão, quando as mulheres exigiram e impuseram junto aos companheiros dos movimentos e organizações sociais que as mulheres tinham que estar representadas em todas as mesas das conferências e dos painéis para falarem sobre todas as áreas e não só sobre algumas questões e algumas áreas, quando exigimos que a participação delas fosse efetiva e paritária, lá também encontrámos a Marisa Matias na construção dessa nova forma de participar e estar na política. Foi igualmente um processo muito difícil e penoso, não só porque se confrontou com rotinas masculinas e patriarcais profundamente enraizadas em sectores e movimentos sociais da esquerda portuguesa, mas porque queríamos trazer uma perspetiva nova e feminista ao tratamento dos vários temas que abarcavam a ideia de que “um outro mundo é possível”.

Fomos seguindo o percurso da Marisa e a sua capacidade de trabalho, de negociação, de afirmação e concretização dos dossiers em que é responsável e em que está envolvida enquanto deputada europeia. Tão difíceis como são os que mexem nos interesses de lobbies poderosíssimos como são os da indústria farmacêutica, ou como nas causas palestiniana ou dos refugiados que a têm levado a conhecer in loco a dura realidade de povos e comunidades a viver dramas tremendos.

Há um traço nesta trajetória: a dedicação às causas em que se envolve. A sua disponibilidade, inteligência e empenho em mobilizar e tudo fazer para tornar realidade aquilo que para muitos seria Utopia.

É um orgulho, nestes tempos de esperança que vivemos, termos uma candidata – a Marisa – que se distingue de todos os outros. Porque é Mulher, porque é Lutadora, porque irradia Convicção e Otimismo, porque é Genuína e porque como Presidente dá-nos a certeza duma mudança em Belém, há muito desejada.

O grande projeto político saído do 25 de Abril – a Constituição – e que nestes últimos anos de cavaquismo tão maltratado foi, elenca os direitos a que todas e todos temos direito. Com a Marisa Presidente temos a certeza de que o juramento de que desempenhará fielmente as funções em que ficará investida e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa será uma realidade e não a letra morta ou caricatura a que o cavaquismo nos sujeitou.

“A Esperança conquista-se” é um slogan muito feliz. Vamos ter uma campanha muito desafiante em que todas e todos estamos convocados. Nada está decidido. Temos a Esperança a conquistar. Temos que multiplicar a energia e a esperança que a Marisa traz a esta campanha presidencial.

Tive a felicidade de viver e participar intensamente na campanha de Maria de Lourdes Pintassilgo para a presidência – “A Coragem da Decisão – nos anos 80 do século passado. Uma campanha cheia de rasteiras, mas também de sorrisos, de afetos, de convicção, baseada na Justiça, na Solidariedade e na Igualdade.

O desafio que hoje se nos coloca tem a ver com um tempo novo que precisa de trazer para a política as jovens e os jovens que não ligam à política, as mulheres e os homens que deixaram de acreditar nos políticos e que engrossam os números da abstenção e do demissionismo.

Este nosso encontro hoje pode ser um bom momento para sairmos das nossas caixas, para encontrarmos os meios para pormos em diálogo e em ação as nossas organizações feministas e de defesa dos direitos para que se encontrem no que é essencial, não iludindo as diferenças, mas mobilizando e dando voz e visibilidade às mulheres na sua diversidade. Esse é também o desafio que a Marisa Matias, futura Presidente, nos faz.

Intervenção na sessão pública – Cidadãs, promovida pela candidatura Marisa Presidente e realizada em 21de Dezembro 2015

Sobre o/a autor(a)

Professora aposentada, feminista e sindicalista
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