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Orçamento de uma Madeira Hospitalizada!

A austeridade e os sacrifícios sobre os madeirenses continuam.

O Orçamento da Região para 2016, o primeiro da era Miguel Albuquerque, estava a gerar alguma expectativa por ser, também, o primeiro orçamento depois de findo o programa de assistência financeira, que impôs o maior aumento de impostos e os maiores sacrifícios aos madeirenses, desde que existe Autonomia. Infelizmente, ao analisarmos o documento, a expectativa depressa acabou frustrada: a austeridade e os sacrifícios sobre os madeirenses continuam. O diferencial de impostos 30% mais baixos a que temos direito, e que foram anulados pelo programa de assistência, não são repostos, não é reposto o mísero subsídio de insularidade no valor de 2%, cobardemente roubado aos funcionários públicos da Ilha da Madeira, não existe uma redução do imposto sobre os combustíveis (ISP) que aumentou 15% com a entrada em vigor do pacote de austeridade, não é garantido um complemento de pensão para os idosos e pensionistas com pensões inferiores ao salário mínimo, não se vislumbram condições para garantir um aumento decente do salário mínimo regional, numa perspetiva de combater a pobreza, não se encontram, enfim, medidas concretas para garantir maior justiça na distribuição de riqueza. Estas medidas, que não fazem parte do orçamento, seriam fundamentais e, quiçá, a única forma de estimular o consumo, injetando desta forma dinheiro na economia que iria reforçar a saúde financeira das nossas empresas e assim criar mais postos de trabalho. Não é este o caminho do governo regional recauchutado: prefere continuar a conduzir a economia da Madeira para o abismo, manter os madeirenses na pobreza, e continuar a negar aquilo que foi roubado, injustamente, aos trabalhadores, reformados, jovens e desempregados destas Ilhas! Tudo na mesma, para mal dos nossos pecados!

Curiosidade: Neste Orçamento da Região para 2016, só existem uns trocos para fazer mais estudos (ainda mais?!) sobre o novo Hospital. Nada de significativo. Estão à espera da República para resolver o problema. O primeiro-ministro já afirmou, na Assembleia da República, que sabe da importância que o novo Hospital tem para os madeirenses e, por isso – e porque o Bloco tem feito o seu trabalho de sensibilização junto do governo da República – , haverá toda a abertura para discutir e negociar este dossier com o governo regional. Espera-se que a República, numa perspetiva solidária, seja parceira no esforço financeiro para a construção desta importante infraestrutura. Mas também esperamos, naturalmente, que a região participe nesse mesmo esforço financeiro. Ao que parece, a bola estará, também, do lado do governo madeirense que, por ter prometido antes das eleições regionais a construção do Hospital, certamente saberá onde vai arranjar o dinheiro, na parte que lhe cabe.

Artigo publicado em dnoticias.pt a 10 de dezembro de 2015

Sobre o/a autor(a)

Deputado na Assembleia Regional da Madeira
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