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O novo hospital da Madeira e o PSD

O novo hospital deve ser construído porque é uma necessidade imperiosa, que deveria estar atendida há muito tempo só não foi porque o PSD-Madeira não quis, preferiu gastar o dinheiro em obras que fazem vista, mas não faziam falta.

De repente o PSD-Madeira quer parecer o campeão na defesa do novo hospital, como se não tivesse estado no governo do país nos últimos 4 anos e no governo da Madeira nos últimos 40 e, portanto, dispôs de todas as condições políticas e financeiras para concretizar a obra.

Dispôs das condições, mas não as aproveitou, teve outras prioridades que são bem conhecidas. Construiu estádios de futebol, campos de golfe, marina e heliporto que nunca foram nem serão usados, centros cívicos às moscas em todas as freguesias, viadutos e túneis sem acesso e abandonados, vias rápidas necessárias, mas que teriam custado metade ou menos se planeadas e construídas com tempo e não à pressa para cumprir o calendário eleitoral.

Uma atuação despesista e eleitoralista do governo PSD-M que nunca mereceu críticas internas. Apenas quando viu esgotar-se o seu tempo na câmara e sem ter outro palco onde se exibir, de forma oportunista, Albuquerque quis mostrar-se diferente começou a demarcar-se e a criticar o modo de atuação de Jardim, quando o próprio Albuquerque até aí tinha sido exatamente igual.

Esta proposta de recomendação ao governo, para a construção do novo hospital, apresentada pelos deputados do PSD Madeira, não passa de um número de teatro e um ato de hipocrisia.

Concordo em absoluto com a urgência da construção do hospital, o objetivo da proposta, mas não com os motivos apresentados. Quem lê o documento é levado a pensar que apenas quem votou no PSD-M deseja o novo hospital, argumento absurdo e patético. O hospital deve ser construído, não porque o PSD ganhou as eleições e tal medida consta no programa do governo regional e constava no do governo de Passos Coelho que foi rejeitado a 10 de novembro.

Deve ser construído porque é uma necessidade imperiosa, que deveria estar atendida há muito tempo só não foi porque o PSD-M não quis, preferiu gastar o dinheiro em obras que fazem vista, mas não faziam falta.

E com tantos mundos e fundos da Europa e do Estado o PSD-M conseguiu ainda deixar uma dívida enorme que fez recair sobre os madeirenses um penoso castigo e vai consumir 30% do orçamento da região a partir do próximo ano.

Dados os constrangimentos orçamentais da dívida criada pelo PSD, a região não tem capacidade para suportar tamanho investimento. O estado deve apoiar este empreendimento que é de interesse nacional, pois irá servir não só os residentes, como todos os que nos visitam, em férias ou em trabalho.

Artigo publicado na página no facebook do deputado Paulino Ascenção

Sobre o/a autor(a)

Coordenador do Bloco de Esquerda / Madeira. Economista, dirigente da Administração Pública.
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