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Acordo à esquerda: o que disseram os partidos

O diálogo à esquerda teve vários momentos. Da noite eleitoral, passando pelas reuniões bilaterais, até ao anúncio do acordo, conheça as principais declarações dos dirigentes de PS, Bloco, PCP e PEV disseram.
Foto de Paulete Matos

Noite eleitoral: Não será pela esquerda que direita governará

Conhecidos os resultados das eleições legislativas, o secretário-geral do PS, no seu discurso na noite eleitoral, deixava claro que não se iria demitir e que o “ónus” da criação de “condições de governabilidade” estavam do lado da coligação Portugal à Frente.

António Costa avisaria logo que “ninguém pode contar com o PS para viabilizar as políticas contrárias às do PS”, e que PSD e CDS perderam a maioria parlamentar e que isso constituía “um novo quadro político”. O dirigente socialista sublinhava ainda que não votaria nenhuma moção de rejeição ao programa de governo de Passos e Portas, se não tivesse uma alternativa estável.

Catarina Martins, num comentário ao resultado da coligação de direita, afirmara que ela “perdeu votos e perdeu mandatos”.

“Se não tiver maioria, não será pelo Bloco de Esquerda que conseguirá formar governo. Uma coligação de direita minoritária não será governo em Portugal se a democracia não lhe der uma maioria”, prometeu a porta-voz do Bloco, garantindo que “o Bloco vai cumprir a sua palavra”.

“Do que Portugal precisa é de um plano de urgência que junte forças, de curar as feridas da pobreza, de investimento para emprego, aumentar o salário mínimo e afastar as ameaças às pensões. Precisa da tranquilidade e da certeza de que faremos o nosso melhor contra a chantagem financeira. A dívida deve ser reestruturada para que haja saúde pública, escola de qualidade e estabilidade nas pensões”, asseverava a porta-voz bloquista.

O secretário-geral do PCP e cabeça-de-lista da CDU, Jerónimo de Sousa, defendeu que os resultados da coligação PSD/CDS se tinham traduzido numa “enorme perda de votos, de pontos percentuais e de deputados" e que “a ilação mais importante” a retirar dos resultados eleitorais é a “confirmada derrota dos projetos de PSD e CDS”. O dirigente comunista classificou como “intolerável” a hipótese de poder vir a ser formado um executivo de direita.

“O PCP e o PEV rejeitarão no Parlamento e as pretensões – da coligação de direita - serão derrotadas. A menos que o PS as viabilize. Neste quadro o PS tem condições para formar governo". Jerónimo adiantaria que o seu partido estaria disponível para viabilizar um Orçamento de Estado do PS.

Reuniões à esquerda confirmam vontade de rompimento com ciclo de empobrecimento da direita

A 7 de outubro, poucos dias após as eleições, uma delegação do PS liderada por António Costa reunia-se com o PCP na sede deste partido na Soeiro Pereira Gomes. À saída do encontro, Jerónimo de Sousa reafirmava que “o PS só não será governo, se não quiser” e anunciava que o partido que lidera rejeitará “qualquer moção de rejeição vinda do PSD ou do CDS”.

“O PS terá de escolher entre associar-se à viabilização e apoio a um governo PSD-CDS ou tomar a iniciativa de formar um governo que tem garantidas condições para a sua formação e entrada em funções”, defendeu o secretário-geral comunista.

“Nós sempre considerámos que o PCP estava preparado para assumir todas as responsabilidades, incluindo governativas, para realizar uma política diferente da que foi realizada nestes últimos anos pela maioria. Essa disponibilidade mantém-se”, garantia Jerónimo de Sousa.

“O que estamos discutir não é o programa dos partidos, porque cada um tem o seu programa. O que estamos a discutir são as medidas de políticas consideradas prioritárias para o país, tendo em vista haver uma inversão da política seguida, dando satisfação e expressão institucional àquilo que foi a vontade dos portugueses no domingo”, defendeu, por seu turno, o líder socialista.

“Era preciso apurar o que, além da divergência, havia de convergência. Não estivemos a trabalhar sobre o que nos divide, mas a trabalhar em torno de perspetivas comuns e atuações prioritárias que correspondam à vontade dos cidadãos para que haja uma alteração de políticas em Portugal”, argumentou António Costa.

A 12 de outubro, chegou a altura de Costa se deslocar à Rua da Palma, em Lisboa, para ser recebido pelos bloquistas. À saída da reunião, o líder socialista declarava que PS e Bloco tinham tido uma “reunião muito interessante” em que foi possível “identificar matérias passíveis de convergência”.

Catarina Martins deixava claro que “o governo de Pedro Passos e Paulo Portas acabou” por existir “outra solução de Governo” que defende o “emprego, salários e pensões”.

Nessa mesma semana, PS reuniu ainda com o PEV. O encontro foi classificado de “muito produtivo” por António Costa e de “útil” pela deputada ecologista Heloísa Apolónia.

Esquerda chega a acordo

A 6 de novembro, a Comissão Política do Bloco anunciava que as negociações com o PS estavam concluídas. “Pela parte do Bloco, as negociações com o PS estão concluídas e estão reunidas as condições para um acordo à esquerda pela proteção do emprego, dos salários e das pensões”, lia-se numa breve nota publicada no esquerda.net.

“Reafirmamos agora, e em definitivo, o que temos sublinhado: há na Assembleia da República uma maioria de deputados que é condição bastante para o PS formar governo, apresentar o seu programa, entrar em funções e adotar uma política que assegure uma solução duradoura na perspetiva da legislatura”, garantia Jerónimo de Sousa numa conferência de imprensa posterior à reunião de 8 de novembro do Comité Central do PCP que, nas palavras do seu secretário-geral, aprovara “por unanimidade e de forma informal” o apoio à formação de um executivo socialista.

“Perante as posições acordadas e publicamente assumidas por Bloco de Esquerda, PCP e "Os Verdes", está garantida: a formação e viabilização parlamentar de um Governo do PS com o programa aprovado na Comissão Nacional; a existência de condições de estabilidade na perspetiva de legislatura com a garantia de não aprovação de eventuais moções de rejeição ou censura da iniciativa do PSD/CDS; a existência de condições de governabilidade com apreciação conjunta dos instrumentos fundamentais de governação, designadamente os orçamentos do Estado”, avançava o comunicado da Comissão Nacional do Partido Socialista, divulgado à imprensa na noite de 8 de novembro.

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Resto dossier

O acordo para parar o empobrecimento

Neste dossier, divulgamos o documento político acordado entre o PS e o Bloco de Esquerda e as medidas acordadas entre PS, Bloco, PCP e PEV para parar o empobrecimento, aumentar salários e pensões e defender os serviços públicos e o Estado Social.

Acordo para virar a página ao ciclo do empobrecimento

O acordo estabelecido entre o PS e o Bloco põe fim a um ciclo de degradação económica e social, garante “uma base institucional bastante para que o PS possa formar governo” e permite a adoção de “medidas que respondam a aspirações e direitos do povo português”.

As medidas acordadas entre PS, Bloco, PCP e PEV

Divulgamos aqui a lista de medidas acordadas entre os quatro partidos, para parar o austeritarismo, defender o Estado Social e abrir o caminho a uma estratégia para o crescimento económico.

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A marcha de um milhão

Foram aqueles eleitores banidos por Cavaco quem trocou as voltas ao centrão. Mas este caminho ainda mal começou. Artigo de Jorge Costa.

Cronologia da queda do governo

A abertura para um entendimento que virasse a página da austeridade e impedisse a direita de continuar a governar foi enunciado antes e durante a campanha e reforçado pela vontade dos eleitores que retiraram a maioria absoluta ao PSD/CDS. Veja aqui a cronologia dos acontecimentos até ao chumbo do programa de governo.

“Se for mesmo para melhorar a vida das pessoas, terá o meu apoio”

O esquerda.net foi ouvir as expectativas de algumas pessoas sobre o acordo entre PS, Bloco, PCP e Verdes com vista a pôr fim às políticas de austeridade levadas a cabo pelo executivo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas. As respostas foram diversas e vale a pena lê-las. Por Pedro Ferreira