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Marisa com emigrantes no Luxemburgo: “A política pode ser diferente”

Numa sessão pública organizada pelo Déi Lenk, Marisa Matias defendeu esta terça-feira no Luxemburgo a urgência de uma mudança para o país para que “mais ninguém seja forçado a emigrar”.

A candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda, que já visitou várias vezes o Luxemburgo para se encontrar com emigrantes portugueses ameaçados de despejo, afirmou durante a sessão que tem "uma ligação afetiva com o país", onde o pai trabalhou nos anos 1970.

"Tenho razões afetivas que me ligam ao Luxemburgo, porque o meu pai foi emigrante aqui, foi trabalhador da construção civil", afirmou Marisa Matias, defendendo que "o Luxemburgo deve muito aos portugueses", que constituem "uma grande parte" da mão-de-obra no país.

Cavaco Silva age como "presidente do seu partido e não dos portugueses"

Perante muitos emigrantes portugueses, a candidata presidencial não deixou de comentar as recentes declarações do presidente da República, afirmando que “o problema não é de legitimidade política ou formal, é de democracia” e que Cavaco Silva age como "presidente do seu partido, não dos portugueses".

A declaração do presidente da República "foi completamente anti-democrática e expulsou da democracia mais de um milhão de portugueses", acrescentou, defendendo ainda que a nomeação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro apenas serviu para “este governo poder terminar o que ainda não tinha conseguido”.

“Em 10 dias, temos mais de 100 nomeações para cargos públicos, conseguiram privatizar os transportes, e ainda conseguiram nomear Sérgio Monteiro para o processo de novo banco", lembrou.

"País tem de mudar para que mais ninguém seja forçado a emigrar"

Afirmando esperar que "a moção de rejeição passe e que este governo caia", Marisa Matias afirmou que "as três condições básicas" do Bloco para apoiar um Governo do PS, que contemplam "a proteção do trabalho, a defesa dos salários e a defesa das pensões", são necessárias "para que mais ninguém tenha de emigrar".

"Se continuarmos neste caminho, não mudamos as condições reais do país, e portanto as pessoas vão continuar a ter que sair, não por que queiram, mas porque são obrigadas", defendeu.

"O medo começou a encolher um bocadinho mais"

Sobre a sua candidatura, que será apresentada oficialmente este sábado, Marisa Matias disse ser uma candidatura para as pessoas, "com as pessoas onde elas estão, na vida concreta delas, de frente para as pessoas e não de costas para elas” e que é necessário “acabar com a continuidade política em Portugal, em que são sempre os mesmos a controlar tudo".

"São tempos de esperança, em que o medo começou a encolher um bocadinho mais", frisou a candidata presidencial.

Neste encontro, em que também participou Catarina Salgueiro Maia, a eurodeputada sublinhou que "as conquistas da democracia, tenho-as tatuadas na minha pele".

"Ainda há muito por fazer para combater a evasão fiscal"

A também vice-presidente da Comissão Especial TAXE do Parlamento Europeu, que participou esta quarta-feira no Luxemburgo numa reunião extraordinária do Grupo da Esquerda Unitária Europeia (GUE/NGL) para analisar as conclusões do relatório sobre o caso Luxleaks, sublinhou que, "por ano, perdem-se cerca de 190 mil milhões de euros em acordos fiscais, o que é considerado legal, mas é absolutamente imoral".

"Se as empresas não pagam impostos nos países onde fazem os lucros, esse dinheiro não chega às contas de Portugal e de outros países, e é dinheiro que não existe para financiar as contas públicas", acrescentou, assinalando que o problema não se restringe apenas ao Luxemburgo.

Segundo Marisa Matias, "19 das 20 empresas portuguesas cotadas no PSI-20 pagam os impostos na Holanda, e depois vêm dizer que 'o que é nacional é bom'".

Um ano após o escândalo LuxLeaks ter sido divulgado, Marisa Matias destacou que "ainda há muito por fazer" para combater "a evasão fiscal".

"Os Estados vão ser obrigados a disponibilizar informação sobre os acordos fiscais, mas a nossa luta principal é que ela fosse de acesso público, e isso não vai acontecer", lamentou, avançando que é preciso "mudar a legislação para que estas práticas deixem de ser legais e se encontrem bases mínimas de taxação" nos países onde as empresas têm lucros.

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