You are here

Portugal é dos países da UE onde famílias mais pagam fatura de saúde

Em 2013, apenas Grécia (30,7%) e Hungria (28,1%) superaram Portugal no que respeita às taxas de pagamentos diretos dos doentes. OCDE alerta que questões financeiras, a par de barreiras geográficas ou elevados tempos de espera, condicionam acesso, o que põe em causa saúde dos utentes.
Foto de Paulete Matos (recortada).

Há dois anos, 27,2% da despesa total com saúde em Portugal foi paga diretamente pelas famílias, sendo que, a nível da União Europeia, esta fatia apenas foi superior na Grécia (30,7%) e Hungria (28,1%). Na OCDE, os países registaram, em média, taxas de pagamentos diretos dos utentes na ordem dos 19%.

No relatório 'Health at a Glance 2015', divulgado esta quarta-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reforça que as questões financeiras, a par de barreiras geográficas ou elevados tempos de espera, condicionam o acesso, o que põe em causa a saúde dos utentes.

A Organização alerta ainda para a cobertura deficitária dos cuidados de saúde primários, defendendo a aposta nos cuidados de proximidade, para responder a urgências menos graves, e na atribuição de mais funções aos enfermeiros.

"O sistema de saúde português ainda é demasiado dependente do setor hospitalar. Apesar da reforma hospitalar ser um processo em desenvolvimento que implica especialização e concentração dos serviços, Portugal deve apostar no aumento da resposta a nível comunitário para a oferta de reabilitação, cuidados pós-agudos e resposta a urgências. Isso permitiria aliviar a pressão sobre os hospitais, com potencial para aumentar a qualidade dos cuidados", refere o relatório.

A OCDE salienta que “estima-se que 30% da atividade hospitalar poderia ser feita na comunidade e que 20 milhões de euros poderiam ser poupados num ano com a transferência de mais cuidados de enfermagem para fora dos hospitais".

No que respeita ao número de enfermeiros, a OCDE refere que, no ano passado, mais de 6.500 enfermeiros portugueses estavam a trabalhar noutros países da União Europeia.

Portugal é assinalado no relatório como um dos países com um rácio de enfermeiro por médico mais baixo (1,4 em 2014), apresentando ainda, em 2013, uma média de 6,1 enfermeiros por 1.000 habitantes, muito abaixo da média da OCDE, que era, nesse ano, de 9,1 enfermeiros por 1.000 habitantes.

Já no que se refere à esperança média de vida à nascença, Portugal merece destaque pelas melhores razões. Em 2013, este indicador fixou-se nos 80,8 anos, enquanto a média da OCDE se ficou pelos 80,5 anos.

Nos últimos 43 anos, Portugal foi o país da Europa que apresentou melhorias mais significativas neste indicador, registando mais 14,1 anos do que aquela que era a esperança média de vida à nascença na década de 70.

Esta evolução deve-se a uma das mais importantes conquistas de Abril - o Serviço Nacional de Saúde - que tem estado sob o ataque feroz do governo PSD/CDS-PP.

Artigos relacionados: 

Termos relacionados Sociedade
(...)