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Regresso ao futuro no mundo do faraó

O país do faraó é também como uma empresa, onde tudo o que possa ser vendido, deve ser vendido. Onde quem manda é o maior acionista, e onde quem é servido é quem pode pagar.

O faraó

Cavaco é de facto um personagem política bastante diferente. Primeiro, porque foi mesmo eleito, várias vezes. Parece mentira mas é verdade: gostava de conhecer alguém que tivesse votado no faraó, mas ao contrário de muitas e muitos amigos que têm o bom gosto de dizer “tenho amigos em todo o lado da política”, eu não tenho. Não tenho, mas gostava, até porque exercício físico faz bem a toda a gente. Ainda assim a esperança é a última a morrer (mas eu tenho certeza que esta vai primeiro do que o professor).

O voto em Cavaco é aliás algo que caracteriza o país de uma forma crua e cristalina. O homem afunda a frota de pesca sem usar um único submarino. O homem arranca kms e kms de linha de ferro e passados uns anos aparece a dizer que é preciso não esquecer o interior do país. Não há dúvida, tem obra feita.

A maldição

Parece que Tutankamon terá sido alguém que teve menos de vida do que Cavaco tem de política em Portugal. Esse tal faraó (ainda!) lança a “praga da morte” a quem ouse perturbar o seu descanso eterno. Vendo bem, Cavaco também aparece quando alguém ousa perturbar o seu repouso. Agora, foi essa chatice do voto da maioria das pessoas.... vá… Democracia. E como os faraós nunca andam sozinhos, lá vem o exército de cidadãos indignados em defesa da democracia: Paulo Portas, comentadores do regime, comentadores patetas, cidadãos, vizinhos… enfim, muitos. Agora, acordos políticos são falcatrua e Portas é o sacristão que guarda a virgindade democrática do hemiciclo. A esquerda é suja, a direita é limpa.

Venderam isto e ninguém avisou

Afinal, Portugal foi vendido e a esquerda não reparou. Em Portugal, já não é a democracia que conta, é o maior acionista. E para quem não reparou, o maior acionista é o PSD, que pode por isso dirigir a assembleia geral de acionistas. E se assim não for, “ai de vós” que a maldição do faraó será lançada. No país do faraó, tudo é dominado por empresas onde não há um pingo de democracia: todas, sem exceção. Não há qualquer decisão democrática, não há participação no destino, na estratégia, na repartição das facilidades ou dificuldades. O país do faraó é também como uma empresa, onde tudo o que possa ser vendido, deve ser vendido. Onde quem manda é o maior acionista, e onde quem é servido é quem pode pagar.

Regresso ao futuro

Para regressar ao futuro, a Assembleia da República precisa de voltar a representar os votos dos cidadãos e deixar de representar o acionista maioritário. A capacidade de diálogo, compromisso e capacidade representativa da esquerda social e política tem de ser reconstruida e experimentada. Sem medos, e sabendo que perdas, haverá sempre.

Entretanto, apesar de não ser prevista pelo IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], prevê-se uma chuva de sapos. Os comentadores do regime, aflitos, temem pela vida. Ai que vão ter de engolir uns quantos. Não se sabe se é maldição ou não, ou qual o faraó responsável.

Agarrem-se às gargantas porque os anfíbios vêm aí!

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Engenheiro informático
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