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Argentina: Presidente será eleito à segunda volta pela primeira vez na história

Pela primeira vez desde o restabelecimento da democracia no país, a eleição presidencial será disputada na segunda volta. Artigo publicado em Opera Mundi
Daniel Scioli e Mauricio Macri.

Os candidatos Daniel Scioli (Frente para a Vitória), candidato do kirchnerismo, e Mauricio Macri (Cambiemos), da oposição, vão disputar uma inédito segunda volta nas eleições presidenciais da Argentina, segundo os resultados divulgados na madrugada desta segunda-feira.

Com 97,12% dos votos apurados, os resultados eram:

- Daniel Scioli (FpV): 36,86%
- Maurício Macri (Cambiemos): 34,33%
- Sergio Massa (Una): 21,34%
- Nicolás del Caño (Frente de Esquerda): 3,27%
- Margarita Stolbizer (Aliança Progressista): 2,54%
- Adolfo Rodríguez Saá: 1,67%

Assim, haverá segunda volta porque, segundo a Constituição do país, para vencer de forma direta, o candidato deve superar 45% dos votos ou ter mais de 40% e uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo mais votado. A segunda volta está prevista para o dia 22 de novembro.

Quem é Scioli?

Governador da Província de Buenos Aires desde 2007, Scioli é conhecido pela sua flexibilidade – conseguiu lidar com setores extremamente distintos do peronismo, representados pelos ex-presidentes Carlos Menem (1989-1999), Eduardo Duhalde (2002-2003) e Néstor Kirchner (2003-2007).

Desportista, sofreu um acidente quando dirigia o seu catamarn em 1989, no delta do rio Paraná. No episódio, perdeu o braço direito, facto que gerou ampla comoção nacional. Com uma prótese, voltou a pilotar e consagrou-se oito vezes campeão mundial.

Após se aproximar de Menem, foi eleito deputado pelo Partido Justicialista e, durante o breve governo de Adolfo Rodríguez Saá (2001), foi secretário do Turismo, cargo que manteve durante a administração de Eduardo Duhalde (2002-2003). Em 2003, assumiu como vice-presidente na gestão de Néstor Kirchner.

Quem é Macri?

Principal figura oposicionista ao kirchnerismo, Maurício Macri (do partido Cambiemos), tornou-se presidente da Câmara de Buenos Aires em 2007. Em julho deste ano, o seu chefe de gabinete, Horacio Rodríguez Larreta, tomou o seu lugar à frente da capital argentina, numa disputa acirrada que serviu de termómetro para a popularidade de Macri na disputa pela presidência.

A carreira política do segundo colocado teve início em 2005, quando foi eleito deputado da nação argentina. É frequentemente associado à figura de principal adversário do partido governista, o FpV (Frente para a Vitória), embora já tenha dito, em entrevista à rádio Mitre, que não se sente "antikirchnerista".

No âmbito económico, Macri - que faz parte da coligação PRO (Proposta Republicana) - defende, entre outras coisas, a redução da despesa pública e a diminuição da ação do Estado na economia; a realização de uma reforma monetária para a livre flutuação da moeda e a reforma fiscal.

'Duas visões da Argentina', diz Scioli

Num discurso concedido uma hora antes do resultado oficial das eleições - quando ainda havia grande expetativa sobre a possibilidade das eleições serem resolvido já na primeira volta, Scioli agradeceu o apoio dos eleitores e pediu o voto dos indecisos e dos independentes.

"Existem duas visões de presente e futuro na Argentina e a nossa prioridade são os humildes, os trabalhadores e a classe média. A mudança tem que serguir adiante", ressaltou o candidato kirchnerista, em clara referência ao seu rival, Mauricio Macri, cuja ideologia política se encontra à direita.

Ainda em relação ao candidato opositor, Scioli ressaltou que se fosse por Macri, que era presidente da cidade de Buenos Aires, não haveria no país a AUH - espécie de Bolsa Família -, a YPF (empresa petrolífera do país), nem a Aerolíneas, companhia de aviação.

Scioli também voltou a ressaltar algumas de suas promessas de campanha, como a isenção de IRS para todos os trabalhadores e aposentados que ganhem menos de 30 mil pesos, a continuação da recuperação das ferrovias do país, a manutenção dos programas sociais implementados nos últimos anos, a luta pela soberania energética e o compromisso de seguir lutando contra os chamados fundos abutres. Numa menção ao papa Francisco, ressaltou: "vou trabalhar para que todos tenham Teto, Terra e Trabalho".

'Política do país mudou', diz Macri

"O que se sucedeu hoje muda a política do país", declarou Macri ao saber que disputa irá para a segunda volta.

Durante discurso na sede do partido Cambiemos, Macri procurou apoio dos eleitores dos outros quatro candidatos perdedores, como Sergio Massa, da UNA (Unidos por uma Nova Argentina) e a progressista Margarita Stolbizer, afirmando que vai agora "trabalhar para ganhar a sua confiança".

Tentando também apoio de camponeses e operários, o líder conservador ainda disse que "aprendeu a luta pelos direitos dos trabalhadores que levou adiante o peronismo ao longo de sua história". 

"Sabemos como estão os nossos produtores agropecuários, mas dentro de pouco tempo vamos poder colocar o país em marcha. Isso se estende por todo país: quero a inclusão dos que pensam de forma distinta e esse é o desafio que temos que assumir", concluiu.

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