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Patrões esperavam “mais equidistância” de Cavaco

O tom em que o Presidente da República se dirigiu ao país não agradou aos representantes de patrões e trabalhadores. Arménio Carlos, da CGTP, considerou a declaração de Cavaco “um atentado à democracia e à vontade dos eleitores".
Alinhamento de Cavaco com os partidos da direita surpreendeu o patronato.

“Pensei que o Presidente da República se fosse manter um pouco mais equidistante”, afirmou o líder da CIP – Confederação Empresarial de Portugal à TSF acerca da declaração em que Cavaco sugeriu a vontade de excluir o Bloco de Esquerda e o PCP de qualquer solução de governo para o país. Para António Saraiva, o tom de Cavaco foi “inesperado” e constituiu “a novidade da comunicação” do Presidente.

O líder da CGTP-Intersindical afirmou que o Presidente da República não levou em conta na sua declaração ao país ”a expressão do voto da maioria do povo português que foi inequívoco ao retirar a maioria absoluta ao PSD/CDS”. Para Arménio Carlos, Cavaco entrou em contradição com um dos pressupostos que tinha considerado fundamental, que era o da estabilidade” no parlamento. O líder da CGTP criticou outra ideia presente no discurso do Presidente, a de que “em Portugal, apenas uns podem chegar aos governos e os outros têm de ser governados”.

Também ouvido pela TSF, João Vieira Lopes, da CCP - Confederação do Comercio e Serviços, sublinhou a “comunicação bastante crispada” de Cavaco Silva, a seu ver “desnecessária”. “Não nos pronunciamos sobre a constituição de governos, temos o nosso caderno próprio de interesses e propostas e apresentá-las-emos a qualquer governo”, afirmou o líder da CCP, considerando “útil para a economia haver estabilidade governativa”, embora julgue que “a constituição da Assembleia da República não adivinha que isso seja muito fácil”.

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