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“Temos a responsabilidade de responder à situação de emergência do país”

Numa sessão pública no Porto, Catarina Martins sublinhou o empenho do Bloco num “acordo sólido para uma solução estável” que garanta um governo alternativo ao da minoria PSD/CDS. A porta-voz do Bloco reafirmou a intenção de apresentar uma moção de rejeição no parlamento, caso Cavaco escolha Passos Coelho para formar governo.
Foto Paulete Matos

Catarina Martins respondeu esta terça-feira a questões levantadas pelos presentes numa sessão pública na Cooperativa Árvore, no Porto. E afirmou que o Bloco escolheu “responder à situação de emergência que o país atravessa, fazendo propostas ousadas que permitissem outra solução de governo, sem trair a confiança que os eleitores depositaram em nós e tendo bem consciência de quais são os nossos principais compromissos”.

Falando da esperança que se abriu no dia 4 de outubro, com a derrota das políticas de austeridade, Catarina afirmou que o Bloco é fiel a essa esperança, que não se esgota no compromisso que está a fazer em negociações assentes nas condições colocadas publicamente na pré-campanha eleitoral. “O Bloco não falta a uma solução de estabilidade e de compromisso”, acrescentou, concluindo que um “acordo sólido para uma solução estável” entre a esquerda parlamentar “pode bem ser o que o país precisa para uma solução de democracia“.

A porta-voz do Bloco lembrou como o partido se bateu para derrotar uma direita “que governou quatro anos contra quem vive do seu trabalho, contra a Constituição, contra a mais elementar justiça social no nosso país, e ainda por cima vendendo aquilo que é a nossa soberania, os nossos setores estratégicos”. Por isso, prosseguiu Catarina, “o perigo de um governo de direita apoiado pelo PS é um perigo grande e que nos fez pensar, tendo em conta a responsabilidade que temos neste momento”.

 

Casa cheia no Espaço Árvore, Porto.

Posted by Luis Costa on Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

“Foi o Bloco que tirou à direita mais votos e mandatos”

Essa responsabilidade do Bloco foi ganha em primeiro lugar nas urnas, acrescentou: “Elegemos onde ninguém pensava e fomos seguramente a força política que mais contribuiu para tirar votos e mandatos à direita, como na Madeira, onde a eleição do Bloco tirou o deputado ao CDS”.

“A candidatura PSD/CDS foi a mais votada e por isso teria legitimidade formal para constituir governo. Mas vivemos uma situação particular que exigiu ao Bloco responsabilidades acrescidas: porque crescemos e é a relação de forças que determina a capacidade negocial de cada força política, e porque dissemos claramente na campanha quais eram os pontos essenciais para que existissem novas soluções de governo e novas respostas para a vida das pessoas”, resumiu Catarina Martins.

“A minoria PSD/CDS, por muito que tenha ganho as eleições, ganhou em minoria e já concorreu em coligação. Neste momento, apenas se algum dos partidos que foram ao Tribunal Constitucional para contrariar os ataques que a direita fez dê a mão à direita, é que a direita tem condições para ser governo”, concluiu Catarina, garantindo que se o Presidente da República escolher Passos Coelho para formar governo terá pela frente uma moção de rejeição do Bloco. “Esperamos que PCP e PS a apoiem”, rematou.

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