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Políticas de austeridade agravaram precariedade, diz investigador

O investigador Carlos Farinha Rodrigues declara que as "políticas de austeridade contribuíram para forte agravamento da precariedade em Portugal". Neste sábado assinala-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.
Foto de Paulete Matos

Farinha Rodrigues está a coordenar a atualização de um estudo sobre desigualdade económica em Portugal, que apresentou em 2012.

Em declarações à TSF, o investigador e economista afirma: "O balanço global deste período das políticas de austeridade é inequívoco. Contribuíram para um forte agravamento da precariedade em Portugal".

"Entre 2009 e 2013 os rendimentos das famílias desceram à volta de 7%. Os rendimentos dos 10% mais ricos desceram 8%. Os rendimentos dos 10% mais pobres desceram 25%", salienta o professor do ISEG, realçando que os pobres sofreram mais com as políticas de austeridade e que a desigualdade se agravou.

Em 2013 a taxa de pobreza em Portugal era de 19,5%, a situação mais recente só será conhecida quando for divulgada a taxa de pobreza de 2014, mas o investigador antecipa: "tudo o que nos chega das instituições de solidariedade social que trabalham com as famílias mais desprotegidas demonstra que a situação de forte agravamento continua. Ou seja, as instituições que trabalham no terreno não notam que essa frágil melhoria [económica] já se traduza no rendimento e nas condições de vida das pessoas".

Carlos Farinha Rodrigues já tinha afirmado, em fevereiro de 201,5 que “não só estamos a agravar fortemente a taxa de pobreza como estamos a [deixar que] os pobres tenham piores condições”.

Em outubro de 2014, o investigador afirmara que “vai demorar muitos anos até reparar os danos que ocorreram durante estes três ou quatro anos”, sublinhando que “as políticas deste governo [Passos Coelho/Paulo Portas] agravaram claramente a situação, em termos de pobreza”

Saliente-se que, em 2013, 19,5% da população auferia rendimentos abaixo da linha de pobreza - definida como 60% do rendimento mediano. No ano anterior, a taxa de pobreza fixara-se em 18,7%. Em 2004, esta taxa era de 19,4%, em 2005 de 18,5%, em 2006 de 18,1%. Em 2011, situava-se nos 17,9%.

Se for tida em conta a linha de pobreza estipulada para 2009, procedendo à sua atualização com base na variação dos preços, a taxa de pobreza atingiu os 25,9% em 2013.

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