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“A democracia não é um dia em que vamos todos votar e depois a direita governa”

Catarina Martins afirma que caminho é “difícil e complexo” mas é o que tem de ser feito e garante que “o Bloco de Esquerda não faltará a uma solução de governo que seja capaz de recuperar os rendimentos do trabalho, salários e pensões, dignidade do trabalho, combate à precariedade e defender a dignidade do nosso país no combate à venda ao desbarato que está a ser feita”.

Responsabilidade

Na sessão realizada nesta sexta-feira na Casa do Alentejo em Lisboa, a porta-voz do Bloco de Esquerda falou sobre “3 conceitos fundamentais: Responsabilidade, medo e esperança”.

Sobre responsabilidade, referiu-se ao país e aos resultados eleitorais do Bloco.

“O Bloco teve a confiança de mais de meio milhão de eleitores e eleitoras, é hoje a terceira força política do parlamento e teve essa confiança assinalando sempre que aqui está construir as soluções que correspondam à vida das pessoas. E temos que levar essa responsabilidade até às últimas consequências”, salientou Catarina Martins.

Criticando a irresponsabilidade do governo PSD/CDS-PP, a porta-voz do Bloco lembrou então a decisão do Tribunal Constitucional (TC) que “considerou inconstitucional a humilhante prova porque fizeram passar os professores contratados”.

Catarina Martins sublinhou então que “não deve ser surpresa para ninguém que face a uma Assembleia da República em que a direita deixou de ter maioria e precisará do apoio de algum dos outros partidos para poder governar o Bloco de Esquerda diga: Com a direita Nunca!”

Considerando que o Bloco não se desresponsabiliza das soluções, Catarina Martins apontou: "Sendo certo que o Bloco de Esquerda não tem os votos para fazer Governo, tem com certeza a força para ajudar com responsabilidade a determinar políticas de um outro Governo, respeitando o resultado eleitoral".

Lembrando o desafio que fez no debate com António Costa durante a campanha eleitoral, Catarina Martins afirmou que estão a ser dados passos, que “estão a ser feitos e estão a ser feitos com a convicção de quem assume a responsabilidade de que o país deu um sinal nas eleições que quer mudar e pôs-nos à altura de concretizar essa mudança”.

Porque não desistimos há quem esteja assustado”

"Não podemos desistir, e porque não desistimos há quem esteja assustado” afirmou Catarina Martins. “Manuela Ferreira Leite está em estado de choque. Sempre disse que queria defender as pensões, mas que seja o Bloco de Esquerda a defender as pensões já lhe parece muito mal”, destacou com ironia.

Prosseguindo ironicamente a porta-voz bloquista apontou: "Paulo Portas lembrou-se de vir defender os eleitores do Bloco de Esquerda. Diz que isto é terrível o Bloco de Esquerda pensar ir para um Governo, ou pensar em apoiar um governo e discutir soluções para o país, isso é terrível porque é desrespeitar o sentido de voto". Catarina Martins lembrou então que “Paulo Portas em 2005, quando ficou a escassos 50 mil votos a mais do Bloco, se demitiu porque teve um mau resultado. Agora que ficou abaixo do Bloco de Esquerda, aparentemente acha que pode ser governo e que o Bloco não pode discutir soluções de governo”.

“Há depois as Bolsas ou pelo menos os títulos dos jornais sobre as bolsas” lembrou Catarina Martins e afirmou: “Ver o medo mudar de lugar é muito bom”.

“Durante anos disseram-nos assim: o problema do Bloco de Esquerda é que não quer ser governo. Não quer discutir governos, não está disponível para fazer parte de soluções”, referiu Catarina Martins e apontou: “Veja-se agora quando o Bloco de Esquerda tem a força a disponibilidade e a relação de forças no país o permite para discutir soluções fica toda a gente muito chocada”.

“A democracia não é um dia em que vamos todos votar e depois a direita governa. A democracia não é todos podermos escolher mas haver uns votos que valem menos do que os outros para determinar a nossa vida coletiva”, realçou a porta-voz do Bloco e apontou que “nenhum voto vale menos do que outro e os mais de meio milhão de votos que o Bloco de Esquerda teve servem para haver força para lutar por soluções”, para defender pensões, salários e emprego.

"Não faremos parte de uma solução de Governo que querendo ser mudança não a seja"

Falando de esperança e do resultado do Bloco que representou uma “enorme esperança” na capacidade de mudança, Catarina Martins apontou que “não sabemos como tudo isto vai ser nos próximos dias” e garantiu que “o Bloco de Esquerda não faltará a uma solução de governo que seja capaz de recuperar os rendimentos do trabalho, salários e pensões, dignidade do trabalho, combate à precariedade e defender a dignidade do nosso país no combate à venda ao desbarato que está a ser feita”.

“Não faremos nenhuma concessão que torne possível um governo da direita, mas também não faremos parte de uma solução de governo que querendo ser mudança não a seja", sublinhou Catarina Martins.

Em relação aos compromissos europeus, a dirigente bloquista vincou que "a Comissão Europeia bem pode querer o orçamento no dia em que quiser, primeiro tem de haver um Governo", pois o processo "tem de ser bem feito".

Salientando que ao Bloco não interessa "o cheiro a poder", Catarina Martins apontou que o Bloco "não abdica daquilo que afirmou na campanha eleitoral, mas sabe centrar-se no que é essencial num processo de convergência em que a convergência é essencial de todas as partes para que haja mudança real no país" e destacou que a questão da reestruturação da dívida é "uma questão inultrapassável" mas não limita diálogos.

“Vai ser um caminho difícil isso é garantido. É certamente um caminho complexo. É difícil é complexo mas é mesmo o que temos que fazer”, concluiu a porta-voz do Bloco.

 

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