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Vice-presidente da CP sai com indemnização choruda e vai para Autoridade dos Transportes

Governo nomeou Cristina Dias para a Autoridade de Transportes em julho, antes ela recebeu cerca de 80 mil euros para sair da CP. Membro da CT diz que é “escandaloso” que a administradora tenha recebido indemnização e especialista em direito do trabalho tem dúvidas sobre a legalidade.
A antiga vice-presidente da CP negociou com a empresa pública uma indemnização para sair e terá recebido um montante de cerca de 80 mil euros. Depois o Governo Passos/Portas nomeou-a para a Autoridade de Transportes - Foto de Paulete Matos
A antiga vice-presidente da CP negociou com a empresa pública uma indemnização para sair e terá recebido um montante de cerca de 80 mil euros. Depois o Governo Passos/Portas nomeou-a para a Autoridade de Transportes - Foto de Paulete Matos

Segundo o jornal Público, a vice-presidente da CP, Cristina Dias, negociou com a CP empresa pública uma indemnização para sair da empresa e terá recebido um montante de cerca de 80 mil euros.

Depois, em julho, Cristina Dias foi nomeada pelo governo de Passos Coelho e Paulo Portas para a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, a entidade reguladora do setor.

Uma fonte oficial da empresa justificou ao jornal que a ex-administradora “enquanto trabalhadora da CP, rescindiu o seu contrato com as condições aplicáveis às centenas de trabalhadores (389 nos últimos cinco anos) que saíram desta empresa, por mútuo acordo, nos últimos anos”.

José Manuel Oliveira, da Federação dos Sindicatos Ferroviários, contrapõe que “há muitos trabalhadores que pedem para sair e a empresa não autoriza”, mas “não foram nomeados pelo Governo para irem para outro cargo”.

O sindicalista sublinha que a maioria dos ferroviários que saem da CP por mútuo acordo tem mais de 55 anos e vão de seguida para o fundo de desemprego onde aguardam a reforma ou a pré-reforma. Só uma minoria sai para outro projeto profissional e nenhum para ir ocupar um cargo do Estado, ao contrário de Cristina Dias.

José Reisinho da comissão de trabalhadores (CT) da CP considera “escandaloso” que a ex-vice-presidente tenha recebido e aponta: “Foi ela que pediu para sair, logo foi ela que se quis ir embora. Por isso não teria direito a indemnização”.

Manuel Henriques, advogado especialista em direito do trabalho (e que faz parte do Conselho de Prevenção da Corrupção), disse ao Público ter dúvidas sobre a legalidade da indemnização que ex-administradora recebeu.

“Uma entidade patronal só paga uma indemnização elevada se estiver interessada na saída do trabalhador e se não tiver fundamento para prescindir dos seus serviços”, disse o especialista em direito do trabalho ao jornal, acrescentando: “Ora neste caso, o verdadeiro interesse para sair da empresa era da senhora dra. Cristina Dias”.

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