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"O sonho de uma Europa social" encontra-se "seriamente em risco", alerta EAPN

"A crise humanitária que vivemos” e a a incerteza na tomada de decisão por parte dos líderes europeus face a este fenómeno (…) levam-nos a temer um futuro de forte instabilidade e desesperança", refere a Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal. Organização defende ainda que “através de uma distribuição mais justa, é possível erradicar a pobreza".
Foto de Paulete Matos.

A Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal alertou esta sexta-feira que "o sonho de uma Europa social" se encontra "seriamente em risco".

"A crise humanitária que vivemos, na sequência de guerras e conflitos, tendo como consequência mais visível uma enorme vaga de refugiados, e a incerteza na tomada de decisão por parte dos líderes europeus face a este fenómeno, as consequentes manifestações xenófobas" um pouco por toda a Europa, "levam-nos a temer um futuro de forte instabilidade e desesperança", refere a EAPN.

"Através de uma distribuição mais justa, é possível erradicar a pobreza"

No comunicado divulgado no âmbito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se celebra este sábado, a EAPN defende que a pobreza não é um problema de escassez de recursos.

“Se evitarmos a ganância e o desperdício e partilharmos o que temos de forma equitativa e sustentável, através de uma distribuição mais justa, é possível erradicar a pobreza", lê-se no documento.

"Não se trata de utopia, trata-se de encarar o problema de uma outra forma, focando a atenção na estabilidade económica e social ao nível global, numa lógica de desenvolvimento sustentável", acrescenta a organização, lembrando que este objetivo foi reafirmado pelas Nações Unidas.

No que se refere à realidade portuguesa, a REAPN frisa que é preciso olhar para além dos números: "Se olharmos apenas para os números (...) ficaremos assustados com as crianças que, em Portugal, se encontram em risco de pobreza e ou exclusão social" e com os níveis da emigração e do desemprego jovem.

"Estamos a falar das novas gerações, daquelas que irão escrever o futuro de Portugal" e que "não têm uma herança muito promissora", lamenta.

Para a organização, o índice elevadíssimo de envelhecimento da população, o desemprego de longa duração e o número "surpreendentemente alto" de trabalhadores pobres também fazem "temer o pior".

Em Portugal, "a mão-de-obra é mal paga e o emprego precário predomina, levando ao aumento das desigualdades", principalmente nas mulheres, afirma a EAPN.

A rede afirma que "este é o retrato breve do país real" e que exige uma resposta eficaz.

"Contamos com todos os portugueses e, especialmente, com aqueles que experienciam a pobreza todos os dias e que chamamos a nós para que se façam ouvir. Não para impressionar mas para despertar a consciência coletiva, particularmente a política que não pode, de forma nenhuma, alegar desconhecimento para a falta de ação", defende no comunicado o presidente da EAPN-Portugal, padre Jardim Moreira.

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