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Centenas exigem em Lisboa a libertação de Luaty e companheiros

Centenas de pessoas manifestaram-se em Lisboa pela libertação de Luaty Beirão e dos outros jovens presos desde junho em Angola. O jornalista Rafael Marques diz que Cavaco só não intercede “porque não lhe interessa”. Em Luanda, Francisco Louçã apelou ao "bom senso" das autoridades angolanas para evitar um desfecho trágico da situação.
Foto publicada na página no Facebook "Liberdade aos presos políticos em Angola"

A concentração em frente à representação da Comissão Europeia em Portugal seguiu em manifestação até à vigília no Rossio, com a participação de centenas de pessoas e palavras de ordem a exigir a liberdade para os presos políticos e o fim dos abusos dos direitos humanos em Angola.

Presente na manifestação, a irmã de Luaty Beirão, fez o ponto da situação do estado de saúde do ativista e rapper em greve de fome há 24 dias. “Ele está muito fraco. Ontem foi-lhe colocado mal o soro e ele perdeu consciência durante uns minutos. Está muito desidratado, com dificuldades em falar, mas o soro tem evitado que os órgãos parem de funcionar”, afirmou Serena Mancini.

Luís Nascimento, advogado dos ativistas, denunciou “as condições carcerárias em que se encontram” os quinze detidos, que “são vítimas de tratamentos degradantes e desumanos”. Para Teresa Pina, da Amnistia Internacional, estes jovens “são prisioneiros de consciência e devem ser libertados imediata e incondicionalmente”.

 

Neste momento, diversas são as pessoas que apelam à libertação dos activistas. Liberdade já!

Posted by Liberdade aos Presos Políticos em Angola on Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

 

A vigília começou a descer para a Avenida da Liberdade.

Posted by Liberdade aos Presos Políticos em Angola on Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

 

A marcha já está quase no fim da Avenida.

Posted by Liberdade aos Presos Políticos em Angola on Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

 

"Luaty Beirão, juntos contra a repressão."

Posted by Liberdade aos Presos Políticos em Angola on Quarta-feira, 14 de Outubro de 2015

O jornalista angolano Rafael Marques, que também já esteve preso por escrever contra o regime de Eduardo dos Santos, afirmou que “o Luaty sozinho com a sua greve conseguiu mobilizar a comunidade cívica internacional para mostrar o nível de repressão do regime angolano. Isso só foi possível porque ele está a dar a sua vida por esta causa”. Rafael Marques afirmou aos jornalistas que são os interesses políticos que estão a impedir uma intervenção ao mais alto nível do Estado português.  
“De outro modo, o presidente Cavaco teria feito um telefonema ao presidente José Eduardo dos Santos a interceder por um cidadão português. Não o faz porque não lhe interessa”, concluiu.

Na mesma postura crítica em relação à inação das entidades oficiais portuguesas quando ao caso de Luaty Beirão, que tem nacionalidade portuguesa e angolana, o escritor Jose Eduardo Agualusa lembrou que “alguém chamou a atenção por em Portugal haver o Ministério dos Negócios Estrangeiros em vez de Ministério das Relações Externas. E parece que é exatamente isso que se trata: este ministro é o ministro dos negócios no estrangeiro, não é um ministro que represente Portugal no estrangeiro”.

“Não acredito que os portugueses se sintam representados por uma pessoa que revela total insensibilidade num momento tão dramático da vida de uma pessoa, mas também da vida de Angola”, prosseguiu Agualusa.

 

Louçã encontra-se com a família de Luaty em Luanda

Em Luanda, Francisco Louçã encontrou-se esta quarta-feira com a esposa de Luaty Beirão e apelou ao “bom senso” das autoridades angolanas “para evitar o agravamento de uma crise que leva a esta hostilidade, que é prejudicial”.

"Há uma urgência humanitária absolutamente decisiva. É preciso salvar a vida deste jovem, Luaty Beirão, e conseguir a libertação de todos os outros presos para que possam aguardar o julgamento e as acusações que sob eles impendem, e que são muito frágeis. Mas o tribunal que o diga", declarou Francisco Louçã, citado pela Lusa.

"Esta situação, de levar até à beira do risco de morte uma pessoa, como este jovem, que é muito conhecido na juventude angolana, é evidentemente muito perigoso do ponto de vista político, muito arriscado do ponto de vista democrático e indigno do ponto de vista humano", prosseguiu o economista, sublinhando ter o ”respeito e a prudência" de não intervir politicamente no país.

O economista e ex-coordenador do Bloco de Esquerda está esta semana na capital angolana a lecionar no primeiro mestrado em Economia na Universidade Católica de Angola, feito em parceria com a Norwegian School of Economics, e que conta com professores de várias universidades europeias.

Termos relacionados Repressão em Angola, Sociedade
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