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Socorro, a Esquerda vem aí!

É impressionante a barreira de fogo que a Direita e os setores financeiros estão a promover contra a possibilidade de uma plataforma de entendimento à esquerda.

Na verdade, o seu comportamento demonstra à saciedade que têm medo, por um lado, de perder privilégios e que, por outro, tratam o Governo como quinta sua, algo que lhes pertence por nascimento. As rendas perpétuas podem estar ameaçadas, eis o seu maior temor. As elites defendem-se com unhas e dentes quando pressentem o perigo e a sua capacidade de mobilização nunca deve ser negligenciada.

Não faltam, aliás, interpretações golpistas da Constituição e devedoras da frágil consciência democrática de quem as produz.

A União Europeia e o Eurogrupo entram no jogo e mostram a preferência pela coligação, anunciando que não há autorização para políticas alternativas e que só a austeridade infinita lhes parece aceitável.

Até o líder da UGT, tão habituado às delicadas conversas de salão entre PSD, PP e PS, mostra o seu incómodo perante a hipótese de mudarem um pouco as regras do jogo, quando deveria ser um dos primeiros a defender entendimentos contra a austeridade e o empobrecimento.

A pressão vai ser enorme e persistem dúvidas sobre se o PS resistirá ou claudicará como habitualmente. Mas ninguém duvida que há trilhos novos a experimentar. Não é fácil. Não é certo. Mas estará algo a começar a mudar?

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo, professor universitário, Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia. Dirigente do Bloco de Esquerda.
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