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Está na hora de virar a página!

O que a direita não pode escamotear é que estão criadas condições para um virar de página em Portugal. Há uma maioria objetiva no parlamento que o viabiliza.

Ainda não era conhecida a contagem final dos votos das eleições legislativas e já o Presidente da República, à revelia do artigo 187º da Constituição , “atribuía” a Passos Coelho o papel de futuro primeiro ministro, incumbindo-o de efetuar diligências para a formação do governo. E a postura inconstitucional não se ficou por aqui, arrogando-se Cavaco Silva o direito de delinear as traves mestras do programa do futuro governo, fazendo tábua rasa das regras básicas por que se pauta a República

Cavaco Silva não é inimputável, sabe bem que portugueses e portuguesas votaram no dia 4 de outubro para a eleição de deputados e deputadas e não para a escolha de um primeiro ministro. Tem conhecimento da esmagadora perda de votos da direita, da existência de uma maioria de deputados(as) da oposição e do crescimento da Esquerda, com particular destaque para o BE que tem maior número de deputados(as) do que o CDS, partido da coligação.

Entretanto as instituições europeias da Europa dos mercados, juntam-se à leitura enviesada dos “bons rapazes” portugueses. O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, a chanceler alemã, Angela Merkel e o seu ministro das finanças , Wolfgang Schäuble, e o Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk ,numa clara ingerência na política de um dos países que integram a União Europeia, apressam-se a saudar os resultados das eleições em Portugal, considerando que, apesar da coligação estar em minoria na Assembleia da República, estes consubstanciam um claro aval às políticas austeritárias, prosseguidas pelo governo PSD/CDS.

O que a direita não pode escamotear é que estão criadas condições para um virar de página em Portugal. Há uma maioria objetiva no parlamento que o viabiliza. Neste contexto, é lamentável que o Partido Socialista não rompa com a subserviência a uma Europa que de há muito virou costas aos seus povos e aceite o repto de construir uma alternativa às políticas de direita!

Sobre o/a autor(a)

Dirigente do Bloco de Esquerda. Professora.
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