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Rafael Marques: Prémio que lhe foi atribuído "expõe fascismo" em Angola

Ao ser distinguido com o Prémio Allard para a Integridade Internacional, no Canadá, o jornalista e ativista angolano denunciou a existência de presos políticos e abusos aos direitos humanos, alertando para a situação totalitária que se vive em Angola.

Na cerimónia da atribuição de uma das maiores distinções mundiais para o reconhecimento dos esforços no combate à corrupção e na defesa dos direitos humanos, instituído em 2013 pela Universidade canadiana de British Columbia (UBC), Rafael Marques afirmou, em declarações à agência Lusa, que o prémio que lhe foi atribuído "expõe o fascismo" que está surgir em Angola.

"O fascismo em Angola está a emergir e devemos acabar com isso antes que se torne extremamente perigoso, não só para o resto da sociedade, mas até para a sobrevivência do próprio poder porque são atos erráticos para aqueles que detêm o poder e que demonstram algum desespero", frisou o ativista.

"Este prémio oferece um outro tipo de visibilidade em Angola e expõe Angola - cada vez mais - a uma audiência internacional que começa a compreender e a despertar para a grave situação que se está a viver no país", acrescentou.

Durante a cerimónia, Rafael Marques referiu-se aos “15 presos políticos acusados de tentativa de rebelião e de tentativa de golpe de Estado”, apelando à sua libertação.

"É uma grande honra porque venho de um país governado por uma cleptocracia, onde a corrupção é a norma diária e ganhar um prémio por lutar contra a corrente deve inspirar e moralizar todos aqueles que já pouco acreditam que é possível viver numa sociedade diferente que seja governada pelas leis e pela honestidade e por valores morais que muito precisamos. Só podemos ter um verdadeiro Estado de direito quando tivermos a capacidade de respeitar a vida humana, de respeitar o outro. Isso falta em Angola", concluiu.

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