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Leva a tua gente até ao voto

Não deixes que decidam por ti e pela tua gente. Não te abstenhas. Hoje vamos decidir e podemos levar a nossa gente até ao voto.

Nestes anos vivemos o inimaginável. Vimos os nossos amigos emigrar, os nossos pais no desemprego, os nossos avós com menos reformas depois de uma vida de trabalho. Vimos a saúde mais cara e as escolas com menos meios. Vimos a pobreza expandir-se para lá do que podíamos imaginar. Vimos toda a gente ser pressionada para viver de forma mais precária. Vimos o país retroceder décadas e todas as conquistas do nosso povo, da nossa gente, depois de meio século de fascismo, serem colocadas em causa. Vimos um país triste, uma democracia empobrecida e um povo a saque.

Hoje não tem de ser assim. Hoje é o dia em que tremem as pernas aos poderosos. Hoje é o dia em que nada mais contará do que a vontade do povo de decidir sobre o seu futuro, a sua vida e a sua gente. Hoje não há instituições europeias a decidir em nosso nome. Hoje o governo da Alemanha não decide por nós. Hoje Cavaco Silva não nos pode impor a solução única do empobrecimento. Hoje a elite financeira do país que fez a crise não pode condicionar as nossas escolhas. Hoje é a nossa vez de votar e decidir.

Hoje podemos decidir em nome nos nossos amigos que não puderam estudar na universidade por causa das propinas. Em nome daqueles que alternam entre o desemprego e a precariedade. Podemos decidir em nome dos nosso amigos que viram o seu futuro congelado e os seus sonhos suspensos. Em nome dos nossos que andam de recibo em recibo, de bolsa em bolsa, de estágio em estágio. Hoje podemos decidir em nome dos nossos pais que deram tudo por este país. Que hipotecaram uma vida para que pudéssemos estudar. Que viram a sua empresa fechar e não arranjam trabalho. Em nome daqueles a quem o mercado diz que são demasiado velhos para poderem trabalhar. Em nome daqueles que já perderam o subsídio de desemprego e nada lhes resta além da solidariedade dos seus. Hoje podemos decidir em nome dos nossos avós que depois de uma vida a trabalhar estão agora condenados a pensões de miséria. Em nome dos nossos que têm mais de 40 anos de trabalho, que deram tudo pelos seus filhos e netos, e que hoje são atacados na sua dignidade.

Onde chove, hoje pode parecer mais confortável ficar em casa. Onde faz sol, hoje parece mais entusiasmante ir a um jardim. Mas hoje temos o dever de olhar à nossa volta, olhar para os nossos, e decidir se queremos que tudo isto continue assim. Hoje temos o dever de não deixar ninguém para trás. Hoje decidimos em nome da nossa gente.

Hoje podemos votar e decidir juntos o que queremos para a nossa vida, para o nosso futuro e para os nossos sonhos. Mas hoje não acaba a democracia porque amanhã a nossa vida coletiva continuará a exigir que façamos da solidariedade um modo de vida.

Não deixes que decidam por ti e pela tua gente. Não te abstenhas. Hoje vamos decidir e podemos levar a nossa gente até ao voto. Amanhã havemos de ser mais. E havemos de continuar.

Sobre o/a autor(a)

Sociólogo e investigador
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