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Quando não houver Colónias em África, porque o Estado Saharaui será livre e Independente

Divididos entre os territórios ocupados, o exílio e os acampamentos de refugiados, os Saharauis vivem, 24 sobre 24h o desespero de uma vida que teima em ser uma mão cheia de sofrimento, e outra cheia de nada. Por Né Eme
Campo de Refugiados de Ausserd (Tindouf - Argelia)

Com uma cultura bem arreigada, um território vasto e rico em recursos naturais com uma das mais ricas costas marítimas, e um Representante legal e legítimo da vontade popular, a Frente Polisario, o Sahara Ocidental vive a prolongada espera da justiça que a ONU protela, que Espanha sonega e que Marrocos, o invasor ilegal aproveita.

A descolonização deste território por parte de Espanha, foi um processo inacabado. Quando em 1975, deveria ter sido efetivado, a traição falou mais alto e os Saharauis viram adiadas as suas vidas, os seus futuros e a sua liberdade e auto-determinação. A sua Independência!!!

A Resolução 1514 da ONU sobre a Descolonização diz que “A sujeição dos povos a uma subjugação, a uma dominação e a uma exploração estrangeira constitui uma negação dos direitos fundamentais do homem, contrários à Carta das Nações Unidas e comprometedores da causa da paz e da cooperação mundiais.

2) Todos os povos têm direito à livre - determinação; em virtude deste direito, eles determinam livremente seu estatuto político e buscam livremente seu desenvolvimento económico, social e cultural.”

Espanha, nas pessoas do Rei D. Juan Carlos, Arias Navarro (Presidente da Comissão Executiva), Antonio Carro Martínez (Ministro da Presidência) e o Ministro Jose Solís Ruiz, traíram o povo espanhol, mas acima de tudo traíram os Saharauis ao assinaram a 14 de Novembro de 1975 o Acordo Tripartidário (Acordo de Madrid) no qual entregaram a Marrocos e à Mauritânia o Sahara Ocidental. Esta atitude leviana e genocida é uma flagrante violação do Direito Internacional e seguiu-se à receção em 20 de Outubro de 1975 de um projeto Lei para a descolonização do Sahara Ocidental.

Com a consciência manchada D. Juan Carlos de Borbón, afirmou em El Aaiun que Espanha cumpriria os seus compromissos no processo de descolonização da Província 53 (Sahara Espanhol).

A dívida de Espanha para com os Saharauis, aumentou quando num pomposo e falso discurso em Tindouf, nos acampamentos de refugiados Saharauis Felipe Gonzalez discursou em 14 de Novembro de 1976, mostrando “repulsa, indignação e reprovação” relativamente ao Acordo Tripartidário, dando razão aos Saharauis, e oferecendo-lhes o seu apoio na auto-determinação. Mais uma promessa, pela voz do PSOE (Partido que representava) que até aos dias de hoje foi ignorada e esquecida.

Ao longo do passado mês de Setembro, assistimos a diversos factos que continuam a comprometer seriamente Espanha, Marrocos e a ONU.

- Em mais um ato de traição e hipocrisia, o Governo de Mariano Rajoy aceita a proposta do Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García Margallo e homenageia com a “Gran Cruz de la Orden del Mérito Civil” Mohamed Hassad , Ministro do Interior marroquino e chefe das forças de Segurança.

Mohamed Hassad é alvo de duras criticas por parte de Organizações Internacionais por excesso de violência. Mas Espanha está ao lado de Marrocos e uma vez mais se coloca contra os Saharauis.

- Continua ainda sem resposta ou qualquer tipo de reação do Governo Espanhol, a Sra. Takbar que segue reclamando o cadáver do seu filho, atacado por colonos Marroquinos, em Janeiro deste ano falecendo a 8 de Fevereiro, devido aos graves ferimentos e falta de assistência médica. Depois de uma longa greve de fome, Takbar Haddi é agora apoiada por ativistas que cumprem por ela uma greve de fome de 24h. Passados que são 106 dias desde o início desta greve solidária em cadeia, apenas o Governo Espanhol faz “vista grossa” a este ato de coragem, solidariedade e justiça.

- Finalmente, no dia 5 de Setembro o enviado pessoal do Secretario da ONU para o Sahara Ocidental, o Sr. Christopher Ross chega aos acampamentos de refugiados em Tindouf depois de vários "impedimentos" por parte do Reino de Marrocos. Ali, se reuniu com diversos membros da Delegação da Frente Polisário, e com o Primeiro Ministro Saharaui.

Mais tarde, e numa passagem por em Madrid, o governo de Mariano Rajoy emitiu um comunicado reiterando o seu apoio aos esforços da ONU na busca de uma solução justa, duradoura e mutuamente aceitável que preveja a livre determinação do povo Saharaui. Curiosamente, o facto de se saber que o Sr. Ross e Kim Bolduc (chefe da Missão das Nações Unidas para o Referendo no Sahara Ocidental – MINURSO), viajarem juntos pela primeira vez e reunirem com países que apoiam a Independência do Sahara Ocidental leva a supor que o interesse pela Causa Saharaui aumenta.

Marrocos assumiu uma posição pouco recomendável, voltando costas a Christopher Ross aquando da sua chegada a Rabat, tendo sido recebido apenas pelo Secretário Geral do Ministério, Naser Burita, que é o numero três na Diplomacia marroquina. Mohamed VI e o seu Governo estavam seguramente mais interessados em receber o Presidente Francês, François Hollande.

Em jeito de conclusão: Espanha vomita traição, a ONU falha e para Marrocos fica a impunidade.

Com a paciência a atingir o seu limite, os Saharauis estão cansados de esperar. É já longa esta cruzada. São 40 anos de tortura, exílio, sofrimento e usurpação. São 40 anos de prisões arbitrarias, 40 anos por viver. 40 anos de estagnação.

40 anos em que acreditaram em promessas. 40 anos em que depositaram esperança numa vida melhor; 40 anos a acreditar que a justiça chegaria em paz. Essa paz que lhes falta numa vida que se esgota.

Sabem agora que só podem confiar neles e na sua vontade.

Este povo pacífico aprendeu a duras penas uma grande lição: A liberdade consegue-se lutando.

E porque a sua Pátria clama justiça: O Estado Saharaui Livre e Independente é a solução!!!

Artigo de Né Eme

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