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Emigração mantém-se em máximos históricos

Observatório da Emigração deu a conhecer nesta terça-feira dados de 2014, que mostram que a emigração não abrandou, “estabilizando entre 2013 e 2014 na casa das 110 mil saídas ano, valores só antes observados nos anos 1960/70”. O relatório foi enviado ao governo em julho passado, mas o governo não o divulgou.
Foto de Paulete Matos

O Observatório da Emigração divulgou, nesta terça-feira, o relatório sobre a emigração em 2014. O relatório foi entregue ao Governo em julho passado, para ser publicado antes das férias parlamentares, como em 2013. Porém, o Governo não o divulgou. O jornal Público perguntou ao secretário das Comunidades, José Cesário, porque o documento não foi publicado, mas não teve resposta.

Em 2014, a emigração de portugueses e portuguesas foi de 110 mil pessoas, pelo segundo ano consecutivo. “Entre 2013 e 2014 a emigração estabilizou em alta, na casa das 110 mil saídas ano, valores só antes observados nos anos 1960/70”, assinala o Observatório.

"A perspetiva era que em 2014 a emigração tivesse baixado, porque o número de pessoas com disponibilidade para emigrar também se esgota. Fiquei surpreendido que ainda se tenha mantido em 2014", afirmou à agência Lusa o sociólogo Rui Pena Pires, coordenador do Observatório da Emigração.

Saídas totais de emigrantes portugueses, 2001-2014 - Gráfico do Observatórío da Emigração

Rui Pena Pires salienta que a estimativa do Observatório é “prudente”, abaixo da realidade.

“Desde 2010, com a natureza assimétrica da chamada crise das dívidas soberanas e os efeitos recessivos das políticas de austeridade, a emigração passou a crescer mais do que no período anterior, estabilizando entre 2013 e 2014 na casa das 110 mil saídas ano, valores só antes observados nos anos 1960/70”, destaca o Observatório.

Rui Pena Pires referiu ao Público, que o mais surpreendente dos dados é a persistência da tendência em números tão elevados e assinala que isso significa que "não existem, neste momento, sinais de que a situação possa inverter-se”.

O investigador realça que os “números mostram que a criação de emprego não cresceu ao mesmo ritmo a que baixou o desemprego”.

Os principais destinos da emigração portuguesa são: Reino Unido, Suíça, França, Alemanha e Espanha.

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