You are here

Felizmente temos memória!

Ainda que nos queiram tratar como indigentes sem memória, não podemos deixar de manifestar profunda indignação perante a encenação cínica, protagonizada por uma maioria que se uniu no governo para aplicar a mais dura política austeritária sobre o povo português. Artigo de José Lopes.
Sobre a Educação, também nos dizem que agora é preciso atuar "logo na origem, logo no ensino básico" para reduzir as desigualdades de aprendizagem. Tudo boas intenções contraditórias com as políticas que vêm sendo seguidas e com os cortes que se traduzem no benefício do ensino privado em deterimento da Escola Pública

Como tenho tido o privilégio de partilhar pontos de vista sobre a Educação no seio desta comunidade escolar, não podia ficar indiferente a uma notícia de 28 de setembro em que Passos Coelho prometeu fortalecer o Estado social, com “ainda melhor saúde, ainda melhor educação, ainda melhor apoio social”. Exatamente num dia em que as notícias alertam para os significativos cortes deste governo no apoio à Educação Especial que segundo a imprensa chegam aos 30 milhões este ano, deixando esta área do ensino sobrecarregada, cujos resultados nas escolas públicas traduzem-se em poucos docentes para darem resposta às necessidades devido aos consequentes cortes nos recursos humanos e limitadas horas de apoio individual, havendo turmas com mais alunos NEE do que previsto em lei.

Como se não tivéssemos memória e como as comunidades escolares fossem compostas por seres sem capacidade de análise, vêm-nos dizer exatamente agora, que "Agora o nosso país está em condições de ter ainda melhor saúde, ainda melhor educação, ainda melhor apoio social, porque agora nós podemos mais. Agora não estamos falidos, agora nós estamos a crescer, e estamos a crescer de maneira sustentada, sem mais dívida", como fossemos todos burros e analfabetos.

Mas sobre a Educação, também nos dizem que agora é preciso atuar "logo na origem, logo no ensino básico" para reduzir as desigualdades de aprendizagem, que curiosamente só se têm acentuado, propondo-se para tal, trabalhar junto "com a comunidade educativa”, mas também alargar o âmbito de intervenção a Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), e com o tecido associativo, através de um "Programa Saber Mais" que permita "dar uma resposta imediata àqueles que mais dificuldades evidenciam, seja na matemática, seja no português, seja a que nível for". Tudo boas intenções contraditórias com as políticas que vêm sendo seguidas e com os cortes que se traduzem no beneficio do ensino privado em deterimento da Escola Pública.

Tais noticias sugerem a partilha de um texto publicado este mês como carta do leitor nos jornais, Expresso (19/09), Público (15/09) e Diário de Aveiro (13/09) a que dei o titulo “Como não tivéssemos memória...”, que aqui deixo como uma espécie de TPC nesta fase inicial do ano letivo.

Como não tivéssemos memória…

Quando ouvimos os mesmos rostos da governação que empobreceu dolorosamente o país com sequelas para os próximos anos, com ar muito sério nos palcos da campanha eleitoral fazerem agora declarações sobre o seu empenho na defesa da coesão social e no combate às desigualdades sociais. Ainda que nos queiram tratar como indigentes sem memória, não podemos deixar de manifestar profunda indignação perante tal encenação cínica, protagonizada por uma maioria que se uniu no governo para aplicar a mais dura política austeritária sobre o povo português e agora, contrastando com a natureza das suas medidas durante quatro anos de bons alunos da troika, de cortes e reduções nas pensões e prestações sociais, como o subsídio de desemprego. Ironicamente estes mesmos governantes que se coligaram para continuarem a garantir aos mercados custos do trabalho mais baratos e ao capital financeiro a devolução dos enormes sacrifícios que continuam a ser exigidos pelo FMI e BCE aos trabalhadores e às famílias. Apresentam as suas próprias vítimas bem reais do empobrecimento, que só a solidariedade das redes sociais atenuaram algum sofrimento de tanta indignidade e humilhação, como bandeira eleitoral manchada por uma governação que apostou na descaraterização do estado social promovendo o assistencialismo.

Artigo de José Lopes, publicado na sua página no facebook

Termos relacionados Comunidade
(...)