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Saúde: “Portugal tem a melhor formação e as piores carreiras”

Catarina Martins visitou a Maternidade Alfredo da Costa para alertar para as suas dificuldades, destacando a fuga de enfermeiros e médicos especialistas para o estrangeiro e a saúde privada.
Foto Paulete Matos.

“A Maternidade Alfredo da Costa é uma das maiores maternidades do país e a que mais recebe partos de risco”, afirmou a porta-voz do Bloco, sublinhando a “saída massiva de profissionais” que tem prejudicado o funcionamento da instituição que esteve ameaçada de encerramento pelo atual governo.

“Temos no nosso país as melhores condições de formação de médicos e enfermeiros e depois oferecemos as piores carreiras no Serviço Nacional de Saúde”, prosseguiu Catarina Martins, referindo que a consequência está à vista de todos, com os médicos e enfermeiros a saírem para a saúde privada e para o estrangeiro.

“Os especialistas não são formados de um dia para o outro”, lembrou a porta-voz do Bloco. “Não podemos ter enfermeiros a ganhar mil euros brutos e dizer-lhes que isso é a sua perspetiva de vida. Respeitar quem trabalha é a única forma de termos os melhores profissionais”, defendeu.

“Este governo cortou todos os anos no orçamento do SNS por causa do sacrossanto défice” para chegar ao fim do mandato com um défice de 2014 igual ao de 2011 e um défice de 2015 que “está bem acima do que foi prometido”.

“Decidiram que era mais importante cumprir as metas de Bruxelas que eram impossíveis de cumprir e pagamentos de dívida em vez de investir. E assim perdemos capacidade, perdemos gente, estamos a entregar milhares de milhões na formação destes profissionais aos privados e ao estrangeiro”, acrescentou Catarina Martins. “Esses profissionais, se tiverem carreira e salário, vão estar cá a trabalhar, a criar valor e a gastar aquilo que ganham, contrariando a recessão”, propôs a porta-voz bloquista, concluindo que “a austeridade revelou-se um ciclo infernal de destruição do nosso país”.

Questionada sobre os jornalistas sobre políticas para inverter a queda da taxa de natalidade, Catarina Martins lembrou que ela “desceu mais em quatro danos do que em toda a década anterior” e para além da necessidade de abonos de família, gratuitidade dos transportes para as crianças e creches públicas – “as creches em Portugal são mais caras que as propinas da universidade”, apontou –, “o que precisamos é de emprego e de salário, porque se as pessoas não podem viver em Portugal por não terem perspetivas de futuro, também não terão filhos em Portugal”, concluiu.

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