You are here

1660 milhões de razões para o PS não reduzir as pensões

O programa PàF oculta as suas contas sobre o futuro da segurança social e, comprometido em Bruxelas com um corte de 600 milhões. António Costa criticou esta fraude e garantiu que “palavra dada é palavra honrada”. No entanto, o programa do PS afeta profundamente as pensões “sagradas”.

O programa PàF oculta as suas contas sobre o futuro da segurança social e, comprometido em Bruxelas com um corte de 600 milhões, espera chegar ao fim da campanha eleitoral sem esclarecer como o pretende fazer. Além disso, como já aqui escrevi, o PSD e Passos Coelho chegaram um dia a fazer contas a outra das suas propostas, o plafonamento, e registaram que o défice criado na segurança social poderia atingir os 20 mil milhões de euros, mais dívida.

António Costa criticou esta fraude e garantiu que “palavra dada é palavra honrada” e que portanto “as pensões são sagradas”. No entanto, o programa do PS afeta profundamente as pensões “sagradas”.

Afeta porque reduz o financiamento da segurança social, por via da baixa da TSU e segundo as contas do próprio PS, em 5569 milhões de euros (2016–2019) e, a partir daí mantém a redução dos pagamentos patronais de forma permanente. É certo que o PS diz que compensa esta redução com uma cornucópia de novos e velhos impostos, alguns de duvidosa aplicação (taxa sobre a rotação de emprego nas empresas, por exemplo).

Mas afecta ainda de outra forma, que não tinha sido discutida na opinião pública, mas que ontem veio à baila no debate entre Costa e Catarina Martins. Ela chamou a atenção para um gigantesco detalhe, que fui verificar: é mesmo verdade que o PS faz as contas de quanto reduzirá o valor das pensões, por via do seu congelamento, e calcula que lhe abate 1660 milhões em benefício do saldo orçamental (pg. 12 do documento apresentado por António Costa em conferência de imprensa no dia 19 de agosto).

O gráfico ao lado, sempre com as contas do próprio PS, apresenta os efeitos de duas medidas, comparando os valores: o que a segurança social deixa de receber porque é reduzida a TSU paga pelos patrões (2550 milhões) e o que a segurança social deixa de pagar com o congelamento das pensões (1660 milhões).

As pensões são “sagradas”. Mas o PS anuncia-nos que as vai reduzir em 1660 milhões de euros durante o mandato, ou seja, tirar um mês a cada um destes pensionistas. E que entrega aos patrões 2550 milhões de euros da segurança social.

A “palavra dada tem que ser honrada”. Pois tem.

Artigo publicado em blogues.publico.pt em 15 de setembro de 2015

Sobre o/a autor(a)

Professor universitário. Ativista do Bloco de Esquerda.
Comentários (2)