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“Governo acha que todo o país se vende, até a água”

Catarina Martins e José Soeiro reuniram com o presidente da Câmara Municipal do Porto. Houve convergência na oposição à fusão das empresas de água que fez o preço disparar e abre a porta à privatização.
Catarina Martins, José Soeiro e o deputado municipal José Castro à entrada da reunião na Câmara do Porto. Foto Paulete Matos

O aumento brutal do preço da água que é consumida no Porto foi a consequência do processo de fusão das empresas de distribuição, comandado pelo governo contra a vontade as autarquias. Rui Moreira mandou uma carta aos munícipes do Porto, junto com a fatura da água, a denunciar os falsos pressupostos da operação e o desperdício que irá causar.

“A autarquia do Porto, e bem, decidiu informar os munícipes sobre o que está a acontecer com o plano de privatização das águas”, declarou Catarina Martins à saída do encontro com Rui Moreira. A porta-voz do Bloco entende que “o governo decidiu obrigar a uma fusão que as autarquias não queriam, para potenciar uma futura privatização das águas”.

“Este é um governo que acha que todo o país se vende e até a água se pode vender ao arrepio da vontade das autarquias”, acrescentou Catarina, dizendo que o resultado da fusão das empresas de distribuição é que “fica mais caro aos contribuintes e mais caro a todas as pessoas que pagam a água”.

Catarina Martins considerou ainda “preocupante” que o PS não tenha tido uma posição clara sobre o que pensa deste processo. “O PS não pode, por omissão, estar do lado do PSD e CDS, a promover uma fusão das águas que as autarquias não querem e que abre a porta à privatização futura de um bem essencial: a água”, concluiu.

Para além do aumento do preço da água, o encontro entre o autarca portuense e a delegação bloquista serviu ainda para tratar de outros temas onde existe convergência de opiniões, como o da “forma antidemocrática como os fundos Portugal 2020 têm sido distribuídos, com as CCDR a servirem de capataz do governo sem ouvirem as autarquias”, ou a oposição à concessão a privados dos transportes coletivos do Porto.

“O governo tem mais uma vez desrespeitado a legitimidade democrática própria do poder local e está a entregar a privados o que não é seu para entregar. Os transportes coletivos têm uma ligação às populações locais e quem representa essas populações são as autarquias”, lembrou Catarina Martins.

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